A Ucrânia deu um passo significativo no combate à invasão russa, ao realizar alterações em sua alta cúpula militar nesta quarta-feira (22). O presidente Volodimir Zelenski enfrentou grande pressão pública e optou pela demissão do comandante-chefe das Forças Armadas, numa mudança promovida para assegurar a continuidade dos esforços na guerra contra a Rússia.
As recentes renovações no alto escalão militar foram formalizadas após um período de turbulência política, que se estendeu por quase uma semana e que incluiu a saída do chefe do Exército e do ministro da Defesa. A alteração, anunciada na noite de terça-feira (21), busca encerrar essa instabilidade, que já ocasionou comemorações na Rússia, embora ainda não esteja claro se tais medidas conseguirão atingir os objetivos desejados por Zelenski.
O novo comandante do Exército, Mykhailo Drapatyi, que possui 43 anos, faz parte de uma nova geração de líderes militares que se destacou durante a luta contra a agressão russa. A sua ascensão ocorreu após a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia em 2014, um marco que selou o início do conflito entre as duas nações. Drapatyi é reconhecido por sua bravura e estratégia, características que serão essenciais para a defesa ucraniana.
Zelenski destacou a necessidade de que Drapatyi e outros comandantes elaborem uma estratégia de defesa atualizada. Entre as prioridades apontadas pelo presidente estão a reforma do sistema de corpos, agilização na entrega de armamentos, reforço das defesas aéreas contra os ataques russos e um plano de mobilização mais claro para as tropas.
Apesar das mudanças, não há indícios de que a Rússia e a Ucrânia estejam mais próximas de um acordo pacífico, mesmo com os esforços diplomáticos promovidos pelos Estados Unidos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou que Moscou mantém suas exigências em relação ao conflito.
Entre as demandas apresentadas por Peskov estão a retirada das forças ucranianas das regiões do leste que a Rússia ocupou e outras questões relacionadas à diminuição do poderio militar da Ucrânia. Ele comentou sobre as recentes mudanças na liderança ucraniana, afirmando que as tensões internas em Kiev são evidentes. Peskov adicionou que tais alterações não impactarão a dinâmica da linha de frente, onde as forças russas continuam em ofensiva.