Tarifaço de Trump Pega Brasil de Surpresa Após Cúpula do Brics

A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, anunciada por Donald Trump, gerou perplexidade na diplomacia brasileira. A medida, [...]

A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, anunciada por Donald Trump, gerou perplexidade na diplomacia brasileira. A medida, com previsão de entrar em vigor em 1º de agosto, ocorreu poucos dias após a Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro.

O evento reuniu representantes de Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros 15 países, onde temas como multilateralismo, cooperação entre nações do Sul Global e reformas na governança mundial foram amplamente debatidos. Discussões sobre um sistema monetário menos dependente do dólar foram interpretadas como uma ameaça pelos Estados Unidos.

No domingo anterior ao anúncio, Trump já havia sinalizado a intenção de taxar países que se alinhassem a políticas consideradas “anti-americanas” do Brics, com uma tarifa adicional de 10%. A carta oficializando a tarifa de 50% foi enviada ao presidente Lula três dias depois.

A Embaixada brasileira em Washington foi informada da decisão apenas após o anúncio público. Especialistas apontam que a motivação por trás da medida é primordialmente política e ideológica, inserida em uma estratégia de campanha eleitoral para reforçar o discurso de proteção à indústria americana.

A carta de Trump faz referências a uma suposta “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados pela Justiça brasileira, bem como a alegações de “censura” contra empresas de tecnologia no Brasil.

Em resposta ao anúncio, o Itamaraty convocou o representante diplomático dos Estados Unidos no Brasil para buscar esclarecimentos. Ministros do governo brasileiro, como Fernando Haddad, questionaram a racionalidade econômica da decisão, classificando-a como uma medida política. O governo brasileiro anunciou a criação de um grupo de trabalho para estudar uma possível retaliação e buscar novos mercados para compensar eventuais perdas decorrentes da tarifa. Os canais diplomáticos permanecem abertos, com negociações previstas até 1º de agosto.

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