Servidores de Naviraí aprovam pauta com pedido de 14,28% ao Executivo

Categoria define proposta de reajuste para 2026, cobra diálogo da Prefeitura e relata temor de represálias. Os servidores públicos municipais de Naviraí aprovaram, em Assembleia [...]

Categoria define proposta de reajuste para 2026, cobra diálogo da Prefeitura e relata temor de represálias.

Os servidores públicos municipais de Naviraí aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária, a pauta reivindicatória que será encaminhada ao Executivo para negociação em 2026. O principal ponto é o pedido de reajuste linear de 14,28%, percentual que representa a intenção da categoria e ainda depende de análise e eventual aprovação da Prefeitura.

A proposta reúne 4,40% de reposição inflacionária, 2,40% de ganho real com base no Produto Interno Bruto (PIB) e 7,48% referentes à recuperação de perdas salariais acumuladas nos últimos cinco anos. Segundo o Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Naviraí (SFPMN), o objetivo é recompor o poder de compra e avançar na valorização dos servidores de carreira.

Durante a assembleia, o presidente da entidade, Audenir Martins Eugenio da Silva, afirmou que dois ofícios enviados à administração municipal desde dezembro de 2025 ainda não tiveram resposta oficial. Para ele, o silêncio dificulta a construção de diálogo institucional e gera insegurança quanto ao andamento das tratativas.

Outro ponto debatido foi o índice de comprometimento da Receita Corrente Líquida com despesas de pessoal. Dados divulgados no Diário Oficial indicam que o município encerrou 2025 com 53,85% da receita comprometida com a folha, acima do limite prudencial de 51,3% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O sindicato contesta a utilização desse percentual como justificativa automática para negar a negociação do reajuste, especialmente diante da manutenção de cargos comissionados.

Além das questões financeiras, a diretoria destacou o contraste entre o alto engajamento nas publicações do sindicato nas redes sociais e a baixa participação presencial nas assembleias. Conforme relatado durante a reunião, há temor entre servidores quanto a possíveis represálias políticas.

De acordo com dirigentes, chegaram à entidade informações de fontes que pediram anonimato apontando que alguns servidores estariam sendo orientados ou pressionados a não comparecer às assembleias, sob risco de perda de privilégios concedidos pelo Executivo a determinadas categorias. As alegações não foram oficialmente confirmadas pela administração municipal. O presidente classificou o cenário como tentativa de silenciamento, referindo-se à situação como uma espécie de “lei da mordaça”.

A assembleia contou com presença considerada expressiva pela organização, apesar do receio mencionado. O sindicato afirma que buscará mecanismos para garantir que os servidores possam participar das discussões de forma segura e livre.

Também foi discutida a intenção da Prefeitura de substituir a atual operadora do cartão-alimentação por um modelo de credenciamento. Representantes da categoria avaliaram que a mudança pode impactar o poder de compra e a liberdade de escolha dos beneficiários, defendendo que qualquer alteração observe os trâmites previstos na legislação de licitações.

O SFPMN informou que protocolou o Ofício nº 002/2026 solicitando audiência com o prefeito Rodrigo Massuo Sacuno para tratar da pauta aprovada. A categoria não descarta novas mobilizações caso não haja avanço nas negociações.

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