As seleções de futebol da Uefa, entidade responsável pelo futebol europeu, decidiram em reunião realizada no dia 30 de novembro de 2023, por meio de votação unânime, que boicotariam futuras edições da Copa do Mundo, em resposta a uma proposta da Fifa que permite a venda de participações a investidores privados. O documento emitido pela Uefa revela que 55 associações-membro rejeitam firmemente a ideia, destacando que nenhuma seleção da Uefa participará de competições da Fifa enquanto tal proposta estiver ativa.
Esse boicote pode impactar diretamente a Copa do Mundo Feminina de 2027, que ocorrerá no Brasil. A possível ausência de seleções europeias, incluindo as semifinalistas da Copa do Mundo de 2023, como a campeã Espanha, alteraria significativamente a dinâmica do torneio.
A proposta da Fifa, anunciada em 28 de novembro de 2023, visa criar a FFE (Fifa Forward Enterprise), uma empresa privada responsável por comercializar e organizar as competições. Essa iniciativa busca aumentar os repasses financeiros às federações afiliadas, com expectativas de que até $ 4,2 bilhões possam ser levantados, o que representa pouco mais de 20% do valor total da empresa. A quantia que cada país federado recebe atualmente, cerca de R$ 41 milhões, poderia subir para R$ 102 milhões até a Copa de 2030.
Em seu comunicado, a Uefa expressou que a proposta da Fifa de transferir a gestão da Copa do Mundo e outras competições para investidores privados é inaceitável. A Uefa enfatizou que tais competições não devem ser tratadas como produtos de investimento, mas sim como legados esportivos construídos ao longo de gerações. O comunicado também critica a falta de consulta prévia às associações nacionais sobre o tema, caracterizando a situação como um ultimato que impõe a aceitação da proposta ou a possibilidade de sanções.
A Uefa, assim, reafirma sua posição contra a proposta, ressaltando a necessidade de preservar a integridade das competições e o compromisso com os interesses dos torcedores e das seleções nacionais. O cenário levanta questões sobre o futuro das competições da Fifa e a relação entre as entidades que governam o futebol mundial e europeu, em um momento em que o esporte enfrenta desafios de governança e comercialização.