A derrubada do ditador Nicolás Maduro pelos EUA coloca em xeque alianças de longa data feitas com China e Rússia. Um enviado de Pequim se reuniu com o líder chavista capturado horas antes do ataque surpresa americano na Venezuela. O regime de Xi Jinping estava há meses tentando conter os ânimos do presidente Donald Trump para ajudar o ditador aliado em apuros.
A queda de Maduro é um duro golpe principalmente para a influência da China na região, que tinha no país sua principal fonte de fornecimento de petróleo. A Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris.
A Rússia reagiu ao ataque americano em tom condenatório, ao observar mais um parceiro de longa data ser derrubado. Maduro repetidamente ameaçou Washington nos últimos meses dizendo que estaria preparado para retaliar ataques com equipamentos militares russos, o que se mostrou posteriormente uma grande falácia do ditador.
A operação dos EUA que resultou na queda de Maduro também representa um teste para a crescente influência desses regimes na América Latina. Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais, pontua que a Venezuela é tida como uma aliada de Rússia e China por diversos fatores, entre eles a proximidade com os EUA, a afinidade ideológica, a possibilidade de inserção de bases para treinar agentes e para espionagem.