Educadores de comunidades tradicionais em Mato Grosso do Sul celebram a data reforçando o papel da educação na preservação identitária.
Em Mato Grosso do Sul, educadores quilombolas celebram o Dia dos Professores nesta terça-feira, 15 de outubro, como um marco na luta pela valorização cultural e resistência identitária.
Professores quilombolas de Mato Grosso do Sul transformam o ensino em um pilar de resistência cultural e preservação de identidades, destacando a data nesta terça-feira, 15 de outubro. Para esses educadores, a atuação vai muito além da simples transmissão de conteúdo, funcionando como uma ferramenta essencial para fortalecer as raízes e as histórias de suas comunidades.
Essa perspectiva é compartilhada por Adriana Rodrigues de Souza Lopes Lima, diretora da escola EE Antônio Delfino Pereira, localizada na comunidade quilombola Tia Eva. Ela ressalta a importância de projetos que alinham o currículo escolar às propostas e à realidade local, envolvendo membros da comunidade para enriquecer o aprendizado sobre a história e a identidade. A meta é que os estudantes se sintam representados e compreendam o valor de sua cultura.
Apesar dos esforços dedicados, os desafios permanecem consideráveis. Adriana aponta a carência de uma legislação estadual específica que possa garantir políticas públicas eficazes para a valorização tanto dos educadores quanto das próprias comunidades, além da necessidade premente de maior representatividade nas instituições de ensino. A professora Ivani Ferminiano, por sua vez, complementa essa visão, reforçando a dimensão simbólica do trabalho pedagógico em contextos tradicionais.
Para Ivani, ensinar dentro da comunidade é um ato de honra às suas origens, uma forma de retribuir o conhecimento adquirido e de plantar esperança, fomentando orgulho, sorrisos, identidade e um forte senso de pertencimento. Ela enfatiza que, apesar de preconceitos e da invisibilidade de certas pautas, o reconhecimento vindo da própria comunidade serve como um poderoso estímulo. A educação quilombola, assim, constitui um instrumento vital de resistência, onde os alunos aprendem que suas narrativas, modos de vida e cultura possuem valor e um lugar legítimo no mundo, reafirmando o compromisso com uma formação libertadora.