Evento preparatório em Brasília alinha posições e mapeia desafios para a conferência global que será realizada em Belém.
Negociadores de 67 países se reuniram em Brasília por dois dias, finalizando na noite de terça-feira (14), para construir entendimentos prévios para a COP30 de Belém.
Negociadores de 67 nações construíram entendimentos prévios em Brasília, finalizando o encontro na noite de terça-feira (14), para a COP30 que ocorrerá em Belém a partir de 10 de novembro. O evento preparatório, conhecido como Pré-COP, focou em alinhar posições para a conferência global sobre mudanças climáticas.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, avaliou que a reunião foi crucial para mapear pontos de consenso e possíveis impasses. Segundo ele, os países foram explícitos sobre os limites de aceitação no processo negociador. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, corroborou a percepção, indicando que os limites apresentados criam vias para conversas mais focadas na COP30.
Entre os 140 temas oficiais da COP30, cerca de 20 são considerados realmente importantes, conforme Corrêa do Lago. As discussões na Pré-COP incluíram clima e natureza, buscando financiamento para a preservação de florestas e oceanos. A transição energética, com a proposta brasileira de quadruplicar combustíveis sustentáveis até 2030, e a agenda de adaptação climática também foram pautas relevantes.
No campo das metas climáticas, o cenário não apresentou grandes alterações. Apenas 62 de 195 países, representando 31% das emissões globais, formalizaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Blocos de grande impacto poluente, como a União Europeia e a Índia, ainda não renovaram esses compromissos, pactuados há uma década no Acordo de Paris, para limitar o aumento da temperatura global.
A sociedade civil, através de entidades como o Greenpeace Brasil, expressou preocupação com a falta de ênfase na proteção das florestas nas negociações, apesar da COP30 ocorrer na Amazônia. Em resposta a essa urgência, o Brasil, em articulação com outras nações, planeja lançar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) na COP30, um mecanismo de financiamento de US$ 125 bilhões (aproximadamente R$ 680 bilhões) para a preservação de biomas florestais.
O TFFF destinará 20% de seus recursos diretamente a comunidades indígenas e tradicionais, remunerando cada hectare preservado em US$ 4. Gustavo Souza, diretor sênior de Políticas Públicas e Incentivos de uma organização de conservação, ressaltou que soluções baseadas na natureza, capazes de gerar até 30% das reduções de emissões necessárias até 2030, recebem menos de 3% do financiamento climático. Ele enfatizou a necessidade de adesões concretas e recursos para que o fundo cumpra seu papel essencial nas metas climáticas.