O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou neste domingo (4) que a instituição iniciou um procedimento investigativo a respeito de uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições do Brasil. A decisão seguiu uma representação recebida da Advocacia-Geral da União, em resposta à publicação do jornal The Guardian, que relatou um projeto norte-americano intitulado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". Este projeto previa a destinação de aproximadamente R$ 5 milhões para grupos que se opõem a alegados abusos do poder judiciário e à censura promovida pelo Supremo Tribunal Federal.
Andrei Rodrigues destacou que a representação da AGU foi direcionada à Diretoria de Inteligência da PF, que já iniciou a apuração. Ele esclareceu que, embora ainda não tenha sido formalmente instaurado um inquérito, uma investigação preliminar está em andamento. O diretor-geral ressaltou que não existem elementos concretos que indiquem riscos efetivos, nem planos relacionados a embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália em Brasília, que suspenderam atendimentos consulares em razão de medidas de segurança, devido a uma suposta ameaça de ataque terrorista.
De acordo com a reportagem, os recursos mencionados seriam utilizados para financiar organizações que se opõem ao que consideram abuso do poder judicial e censura por parte do STF. O valor mencionado integra um pacote total de US$ 175 milhões (aproximadamente R$ 918 milhões) destinado pelo Departamento de Estado americano para projetos de direitos humanos em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.
Além disso, a relação entre os EUA e o Brasil tem sido marcada por tensões. Em julho de 2025, o governo americano sancionou o ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, em resposta à supervisão do julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe após sua derrota nas eleições de 2022. As sanções foram revogadas em dezembro do mesmo ano, mas o financiamento de grupos no Brasil prossegue, em meio a receios do governo do presidente Lula sobre tentativas de interferência por parte de Washington.
Lula expressou preocupações sobre uma possível interferência de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, nas eleições brasileiras, durante uma entrevista à jornalista Christiane Amanpour. O presidente mencionou indícios de interferência envolvendo inteligência artificial e alertou sobre o vínculo de Rubio com o bolsonarismo, embora tenha ressaltado que, até o momento, as informações são apenas suspeitas.
Com informações cnnbrasil.com.br