A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (24), a Operação Pecus Exploratio, que visa investigar incêndios criminosos, grilagem de terras da União e falsificação de documentos relacionados a uma propriedade rural situada No Pantanal de Mato Grosso do Sul. O impacto ambiental decorrente dessas queimadas é avaliado em cerca de R$ 140 milhões, refletindo a gravidade das ações ilegais em uma das regiões mais sensíveis do Brasil.
Durante a operação, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, distribuídos entre as cidades de Corumbá e Campo Grande, além de uma ação no Rio de Janeiro. A Justiça Federal de Corumbá também determinou o bloqueio do gado presente na fazenda alvo da investigação e o sequestro de quase R$ 6 milhões em contas bancárias dos envolvidos, buscando assegurar a reparação dos danos ambientais.
As investigações tiveram início em 2024, a partir de informações que indicavam a propagação de queimadas em áreas do Pantanal. Perícias realizadas durante a apuração revelaram que mais de 4 mil hectares da propriedade investigada haviam sido devastados pelo fogo. Documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos, e a análise desse material será fundamental para esclarecer a participação dos envolvidos e identificar possíveis cúmplices.
A Operação Pecus Exploratio é parte de um esforço maior para combater crimes ambientais No Pantanal de Mato Grosso do Sul. Em investigações anteriores, a PF já havia detectado irregularidades relacionadas à ocupação de terras públicas, com evidências de fraudes em sistemas federais para legalizar áreas ocupadas de forma irregular. Este tipo de crime frequentemente combina a falsificação de documentos com a destruição de vegetação nativa por meio de incêndios.
Além das operações focadas na regularização de terras, outras apurações também indicaram a ocorrência de queimadas em áreas pertencentes à União, levantando preocupações sobre o uso indevido de recursos naturais e a preservação ambiental. Uma das investigações anteriores identificou uma área de 70 mil hectares sob suspeita de ocupação irregular, o que levanta alarmes sobre as consequências dessa prática no ecossistema local.
A PF ressaltou que as investigações da Operação Pecus Exploratio continuam em andamento, com o objetivo de aprofundar a análise dos documentos e equipamentos apreendidos. Essa ação reafirma o compromisso das autoridades em proteger o Pantanal e coibir práticas que causem danos irreversíveis ao meio ambiente.