Operação em São Bernardo do Campo revela esquema de adulteração que causou fatalidades na capital paulista.
A Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, após duas mortes por metanol.
A Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, nesta sexta-feira, 10 de novembro, após investigar duas mortes por intoxicação de metanol. A operação visa combater a fraude em destilados que tem causado fatalidades no estado.
As investigações tiveram início com os casos de Ricardo Lopes, de 54 anos, que faleceu em 16 de setembro, e Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos, ambos vítimas do consumo de bebidas adulteradas. Eles haviam ingerido os produtos no Bar Torres, localizado na Mooca, zona leste de São Paulo, que já foi interditado pela Vigilância Sanitária. A polícia apreendeu nove garrafas no estabelecimento, das quais oito apresentavam concentrações elevadas de metanol, variando entre 14,6% e 45,1%.
O proprietário do bar, em depoimento, revelou ter adquirido as garrafas de uma distribuidora ilegal. Esta, por sua vez, utilizava etanol de postos de combustível na fabricação irregular das bebidas. No entanto, o etanol estaria contaminado com metanol, uma substância altamente tóxica. O secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, enfatizou que a linha de investigação aponta para a contaminação do etanol na origem, destacando que “o falsificador foi no posto comprar etanol para falsificar a bebida e o dono do posto vendeu etanol falsificado com metanol”.
São Paulo enfrenta um cenário preocupante, com 25 casos confirmados e outros 160 suspeitos de intoxicação por metanol em todo o Brasil. Todas as cinco mortes confirmadas no país até esta sexta-feira, 10, foram registradas em território paulista. Diante disso, o governo estadual e órgãos municipais implementaram uma força-tarefa para combater a adulteração de bebidas. Desde 29 de setembro, quando as ações foram intensificadas, 24 pessoas foram presas e diversas distribuidoras, mercados e adegas na região metropolitana foram interditados.
A descoberta da fábrica clandestina no ABC é considerada a “maior resposta” da investigação da Polícia Civil até o momento, conforme afirmou o secretário Derrite. O próximo foco da apuração é identificar os postos de combustível onde o etanol contaminado foi adquirido, visando desmantelar completamente a cadeia de fraude que coloca em risco a saúde pública.