Polícia Científica de MS capacita mais de 50% dos servidores em Atendimento Humanizado

Curso de 20 horas, em parceria com a Escolagov, prepara peritos e agentes para acolher vítimas de violência, familiares de desaparecidos e pessoas em vulnerabilidade. [...]

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul já capacitou mais de 50% dos servidores do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) e dos 14 Núcleos Regionais de Medicina Legal em Atendimento Humanizado. O curso "Atendimento Humanizado em Contextos de Violência e Vulnerabilidade para o Servidor Público", oferecido em parceria com a Fundação Escola de Governo de MS (Escolagov), tem carga horária de 20 horas e é realizado a distância. A formação envolve especialmente peritos médico-legistas e agentes de Polícia Científica.

Embora o imaginário popular associe a Medicina Legal a necropsias, a maior parte dos atendimentos ocorre com pessoas vivas, como vítimas de lesões corporais, violência doméstica e sexual, além de pessoas custodiadas. O trabalho também inclui o contato com familiares de pessoas falecidas. Para o coordenador de divisão do IMOL, Adalberto Arão Filho, a forma como a pessoa é recebida influencia a qualidade das informações obtidas. "O acolhimento não compromete a imparcialidade, pelo contrário, qualifica a prova", afirma. Segundo ele, uma escuta acolhedora, sem julgamentos e que respeite o ritmo de quem relata a violência, reduz constrangimentos e evita a revitimização, sem alterar a responsabilidade do perito de registrar relatos e achados técnicos com objetividade.

O coordenador-geral da Polícia Científica, Nelson Fermino Junior, destacou que o trabalho não se limita ao laudo. "Ele envolve o atendimento, exige preparo técnico, sensibilidade e integração com a rede de proteção", declarou. A capacitação se soma a práticas já desenvolvidas no Estado, como o atendimento a mulheres vítimas de violência Na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, onde exames médico-legais são realizados no mesmo espaço em que outros serviços da rede são oferecidos. Em Dourados, o Projeto Acalento integra cuidados de saúde e procedimentos periciais em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados. Em Amambai, a Sala Lilás oferece ambiente reservado, e o projeto "Brinquedo que Acolhe" usa brinquedos para tornar menos intimidador o primeiro contato de crianças com a equipe médico-legal.

Em maio deste ano, a Polícia Científica instituiu o Procedimento Operacional Padrão (POP) de Acolhimento e Cadastro de Pessoas Desaparecidas, aplicado no IMOL, em Campo Grande, e nos 14 Núcleos Regionais de Medicina Legal. O procedimento orienta os servidores sobre como receber familiares, registrar informações, realizar encaminhamentos e prestar orientações durante a busca por respostas, considerando que a família precisa ser ouvida com respeito, clareza e atenção ao seu estado emocional.

A formação da Escolagov concentra-se no preparo dos profissionais por meio de cinco módulos que abordam direitos humanos, compreensão de situações de vulnerabilidade, escuta qualificada, comunicação verbal e não verbal, inteligência emocional e protocolos para situações críticas. O conteúdo também inclui o cuidado com quem cuida, com estratégias para preservar o equilíbrio emocional diante de relatos de violência e sofrimento. A capacitação continua disponível na plataforma da Escolagov para os servidores que ainda não participaram, com aulas acessíveis a distância conforme a disponibilidade de cada profissional.

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