Polícia aponta disputa entre PCC e CV como motivação de homicídio em Água Clara

Adolescente de 17 anos foi baleado e morreu dias depois. Três suspeitos estão presos; investigação encontrou indícios de rivalidade entre facções. [...]

A morte de Claudemir Pereira da Silva, de 17 anos, conhecido como “Mandioca”, é investigada como possível desdobramento da disputa entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) em Água Clara, cidade a 192 quilômetros de Campo Grande. Três suspeitos, de 18, 20 e 33 anos, foram presos pelo crime. A informação é da polícia, que analisou mensagens e uma conversa entre um dos detidos e sua companheira.

Na última quarta-feira (21), testemunhas relataram que dois homens em uma motocicleta se aproximaram de Claudemir e dispararam três vezes antes de fugir. O adolescente, que completaria 18 anos no dia 1º, foi atingido no ouvido, nas costas e no abdômen. Ele foi socorrido ao Hospital Municipal de Água Clara e transferido em vaga zero para Três Lagoas, onde morreu dias depois.

Segundo a investigação, os suspeitos seriam integrantes do PCC. A polícia identificou uma manifestação alusiva à facção enviada após o crime, em resposta a uma publicação atribuída ao Comando Vermelho em 16 de outubro, na qual criminosos anunciavam a suposta chegada da organização ao município e ameaçavam integrantes e simpatizantes do PCC. A motocicleta usada no crime foi apreendida e as diligências apontaram um suspeito de ser o executor, conhecido como “Gordo” ou “Canela Cinza”, além de indícios da participação de outro rapaz, chamado “Pestinha do 15”.

“Pestinha do 15” foi localizado e encaminhado à Delegacia de Polícia de Água Clara, onde afirmou ser integrante do PCC. Na última sexta-feira (23), o suspeito de ser o executor foi encontrado na casa de parentes e confessou a autoria, indicando onde havia escondido a arma. O piloto da motocicleta também foi preso em outra residência. Os dois assumiram pertencer ao PCC, mas os três ficaram em silêncio durante o interrogatório.

A defesa do trio pediu liberdade provisória. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) solicitou a conversão do flagrante em prisão preventiva e a quebra do sigilo dos dados dos celulares da dupla que estava na moto. Após audiência de custódia no Fórum de Água Clara, o Judiciário decretou a preventiva e autorizou a perícia nos aparelhos. Os suspeitos têm passagens por tráfico de drogas e porte de arma; o jovem de 18 anos responde por lesão corporal dolosa quando era adolescente e é suspeito de portar drogas para consumo pessoal.

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