PGR solicita investigação sobre possível interferência de Mendonça em inquérito envolvendo

O procurador-Geral da República, Paulo Gonet, enviou ofício ao STF pedindo apuração de interferências do ministro André Mendonça na Polícia Federal, que impactam investigações que [...]

A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que sejam investigadas suspeitas de interferência do ministro André Mendonça na Polícia Federal. O procurador-geral Paulo Gonet alega que Mendonça teria determinado a elaboração de um relatório sobre mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e diversas autoridades, sem informar previamente o Ministério Público, o que é uma violação dos protocolos de controle da atividade policial.

Gonet, em sua manifestação, destacou que a decisão contida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, dificultando o controle externo necessário para a efetividade da investigação. O ofício enviado por Gonet, embora não mencione o nome de Mendonça diretamente, claramente refere-se à conduta do ministro. A investigação envolve, entre outros, o próprio Gonet, Moraes e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Um relatório da Polícia Federal, com 218 páginas, que foi enviado a Mendonça, contém referências a Gonet, revelando diálogos entre ele e Vorcaro. Durante essas conversas, Gonet expressou saudade do banqueiro, que é acusado de fraudes que totalizam cerca de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro nacional. Além disso, o procurador foi convidado para uma degustação de uísque e charutos em Londres, cujo custo foi coberto por Vorcaro, na presença também de Moraes e do ministro Dias Toffoli.

Na última quinta-feira, 3, o Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu abrir um procedimento para apurar a conduta de Gonet, em resposta a um pedido do Partido Novo. Este movimento gera um clima de tensão no cenário político, especialmente dado o envolvimento de Moraes em questões relacionadas ao Banco Master, que ainda teve relações financeiras com seu escritório, incluindo um contrato de R$ 50 milhões e a entrega de um avião e um helicóptero.

A relação de Moraes com o Master inclui a emissão de cartões de crédito com limites de R$ 300 mil para os filhos do casal. Quando as informações do relatório da PF foram divulgadas, Moraes contra-atacou ao incluir Mendonça no inquérito das fake news, alegando que o ministro foi parcial em investigações relacionadas ao Master e a desvios na aposentadoria de beneficiários do INSS. Ele argumentou que a atuação de Mendonça comprometeu a produção de provas devido à ruptura da cadeia de custódia.

Para mitigar a crise, Fachin estabeleceu um prazo de cinco dias para que todos os envolvidos se manifestem e assumiu a relatoria do inquérito contra Mendonça. Em um novo pronunciamento, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fachin defendeu o encerramento do inquérito das fake news, utilizado por Moraes como ferramenta contra adversários.

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