PF aponta Marcinho VP como chefe de monopólio de internet em comunidades do Rio

Operação Backbone prendeu esposa e filho do traficante e bloqueou até R$ 558 milhões. PF investiga controle armado do serviço em comunidades do Rio. [...]
Homem atrás de grades olhando pensativo para o lado.

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19) a Operação Backbone para desarticular um esquema de monopólio armado do fornecimento de internet em comunidades do Rio de Janeiro. Preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado como controlador do negócio atribuído ao Comando Vermelho, mesmo após quase 30 anos de prisão.

Durante a ação, foram presos Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho, e o filho Lucas Santos Nepomuceno. A investigação indica que a estrutura impunha o monopólio do serviço nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte do Rio, por meio de ameaças e violência contra moradores, comerciantes e empresas concorrentes. Segundo a PF, integrantes armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, além de impedir reparos de técnicos.

Os lucros chegavam à família por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Os valores eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro vivo e criptoativos. Registros contábeis atribuídos à organização apontam que a cobrança pelo serviço representou mais de 40% de toda a arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha em um único mês. As empresas autorizadas a operar pagavam taxa mensal ao grupo criminoso.

A Operação Backbone cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte das ordens é cumprida contra investigados que já estão no sistema penitenciário, inclusive em unidades federais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas dos negócios investigados, entre provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e firmas apontadas como de fachada.

A Agência Nacional de Telecomunicações será notificada para avaliar a cassação das autorizações e a interrupção dos serviços das empresas investigadas, com medidas para evitar que moradores fiquem sem acesso à internet. Os investigados vão responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro. A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro, conforme diretrizes do STF. Marcinho VP está preso desde 1996 e permanece no sistema penitenciário federal em Campo Grande.

Com informações campograndenews.com.br

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