Pesquisas destacam riscos de extremos climáticos para crianças e bebês

Dois estudos divulgados em abril de 2025 alertam para o impacto das mudanças climáticas na saúde e mortalidade de bebês e crianças, gerando grande preocupação. [...]
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Estudos revelam alta preocupação dos brasileiros e dados alarmantes de mortalidade infantil devido a variações de temperatura.

Dois estudos divulgados em abril de 2025 alertam para o impacto das mudanças climáticas na saúde e mortalidade de bebês e crianças, gerando grande preocupação.

Duas investigações jornalísticas, divulgadas em abril de 2025, acendem um alerta sobre os severos impactos dos extremos climáticos na saúde e na sobrevivência de crianças e bebês no Brasil, revelando uma profunda apreensão popular.

A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em levantamento encomendado ao Datafolha, identificou que mais de 80% dos brasileiros temem os efeitos das variações climáticas em crianças de 0 a 6 anos. A pesquisa, que entrevistou 2.206 pessoas, incluindo 822 responsáveis por menores, entre os dias 8 e 10 de abril de 2025, apontou que 71% das preocupações se concentram em impactos na saúde, especialmente doenças respiratórias.

Além dos riscos à saúde, 39% dos entrevistados manifestaram receio com a maior incidência de desastres como enchentes, secas e queimadas, e 32% com a dificuldade de acesso à água potável e alimentos. Mariana Luz, diretora da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, enfatiza que essa percepção da população é uma vitória, pois reconhece a vulnerabilidade das crianças, que são as menos responsáveis pela crise climática, mas as mais afetadas.

Corroborando essa preocupação, um segundo estudo, conduzido por cientistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da London School e do Instituto de Saúde Global de Barcelona, traz dados alarmantes. Publicada no periódico Environmental Research, a análise indica que bebês em período neonatal (7 a 27 dias) enfrentam um risco 364% maior de óbito em condições de frio extremo, em comparação com temperaturas normais.

Em contraste, o impacto do calor extremo aumenta com a idade da criança, sendo 85% maior na faixa etária entre 1 e 4 anos. Os pesquisadores examinaram mais de 1 milhão de mortes de menores de 5 anos ao longo de duas décadas, revelando que o risco de mortalidade para essa faixa etária foi 95% maior no frio extremo e 29% maior no calor extremo, comparado a dias com temperaturas amenas (entre 14 e 21°C).

Ismael Silveira, professor do ISC/UFBA e colaborador do Cidacs, explicou que, embora pesquisas internacionais já sinalizassem a vulnerabilidade de crianças pequenas a extremos climáticos, havia poucas evidências em países tropicais. O Brasil, com suas dimensões continentais e forte desigualdade socioeconômica, serve como um “laboratório natural” para essas investigações, com dados robustos de óbitos que preencheram essa lacuna.

A vulnerabilidade infantil às mudanças de temperatura decorre da imaturidade de seus mecanismos de regulação térmica. Em dias mais quentes, os perigos incluem insolação, desidratação, problemas renais e doenças respiratórias e infecciosas. Já no frio, a hipotermia pode desencadear complicações respiratórias e metabólicas, além de favorecer o aumento de infecções.

O cenário brasileiro revela variações regionais significativas nos impactos climáticos. A mortalidade de crianças menores de cinco anos relacionada ao frio registrou o maior aumento, de 117%, na região Sul do país. Por outro lado, a mortalidade associada ao calor foi mais elevada no Nordeste, com um acréscimo de 102%. As taxas mais altas de óbitos infantis permanecem concentradas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, áreas que frequentemente enfrentam maior vulnerabilidade socioeconômica e deficiências em infraestrutura básica.

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