Emissários da ONU alertam para a situação precária de trabalhadoras rurais e a necessidade de ações para garantir seus direitos e autonomia.
Em declaração emitida em alusão ao Dia Internacional das Mulheres Rurais, celebrado em 15 de outubro, a ONU alertou para a necessidade de ações ousadas em defesa da igualdade e do empoderamento destas trabalhadoras.
A organização destacou que as mulheres rurais desempenham papel crucial ao impulsionar movimentos coletivos por mudanças e construir pontes entre ações locais e progresso global. Contudo, a ONU ressalta que as áreas rurais são as mais afetadas pela pobreza extrema e pela insegurança alimentar, impactando principalmente mulheres, jovens e povos indígenas.
Segundo dados do Censo Agropecuário de 2017, no Brasil, as mulheres representam aproximadamente 30% da força de trabalho rural e lideram 20% dos empreendimentos rurais. Apesar disso, quase metade (48%) não possui vínculo formal, o que as impede de acessar benefícios como licença-maternidade e aposentadoria. O levantamento também aponta que mulheres ganham 20% menos que homens em funções equivalentes e enfrentam dupla jornada de trabalho, acesso limitado a crédito e exposição a agrotóxicos.
A auditora-fiscal do Trabalho Alessandra Bambirra, representante do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (DS-MG/Sinait) em Minas Gerais, assegura que valorizar o trabalho feminino no campo é essencial para garantir direitos, combater a informalidade e fortalecer o protagonismo econômico, social e político dessas mulheres.
O Ministério das Mulheres tem criado e fortalecido políticas públicas para promover a autonomia econômica das mulheres do campo, como o Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas, que elabora estudos e estratégias integradas. O Projeto Rural Sustentável (PRS), que atua nos biomas Cerrado e Amazônia, busca ampliar a autonomia financeira feminina, beneficiando mais de 1.500 mulheres.