O ditador venezuelano Nicolás Maduro foi preso em Nova York, sob acusação de narcotráfico e outras violações. Em Caracas, Delcy Rodríguez foi declarada presidente interina pelo Tribunal Supremo de Justiça do país. A primeira-dama Cilia Flores, presa com Maduro, é conhecida por seu nepotismo, tendo empregado mais de 40 parentes quando presidiu a Assembleia Nacional.
Historicamente, ditaduras personalistas costumam se sustentar não apenas na figura do líder, mas também em parentes que concentram riqueza e poder em torno dele. Cônjuges, filhos, irmãos, genros e sobrinhos frequentemente ocupam cargos-chave, acumulam fortuna e se projetam como herdeiros informais do regime.
A família Marcos, nas Filipinas, é um exemplo emblemático de retorno à vida política. Deposto em 1986, o ditador Ferdinand Marcos fugiu para o exílio, mas sua família conseguiu retornar ao país e reconstruir sua influência. Em 2022, o filho Bongbong Marcos conquistou a presidência filipina com quase 60% dos votos.
Em contraste, alguns herdeiros de ditadores enfrentam reação imediata e implacável, tornando-se fugitivos ou réus assim que o antigo chefe perde o poder. O caso do tunisiano Zine El Abidine Ben Ali é um exemplo, onde seu círculo familiar tornou-se alvo da Justiça após sua fuga do país em 2011.