Pesquisa aponta que idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social serão os mais afetados pelo aumento das temperaturas
Um estudo revela que as mortes causadas pelo calor na América Latina podem mais que dobrar em 20 anos, impactando principalmente idosos e pessoas pobres.
O calor pode ser o responsável por mais que dobrar as mortes na América Latina em 20 anos, conforme estudo. A pesquisa, que analisou 326 cidades em países como Brasil, Argentina e México, estima que, em um cenário de aquecimento global entre 1°C e 3°C, a mortalidade por altas temperaturas pode saltar de 0,87% para 2,06% até 2045.
Nelson Gouveia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e um dos autores do estudo, ressalta que os idosos e as pessoas mais pobres são os que mais sofrem. Moradores de áreas periféricas, em habitações precárias e sem acesso a ar-condicionado ou áreas verdes, enfrentarão maiores dificuldades diante de ondas de calor intensas. O estudo também destaca que o calor extremo aumenta o risco de infartos e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas.
No Brasil, a pesquisa utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do DataSUS e do Censo Demográfico do IBGE. Os pesquisadores concluíram que a construção e aplicação de políticas de adaptação climática, como planos de ação para períodos de calor intenso e adaptações urbanas, são essenciais para proteger as populações vulneráveis. A adoção de sistemas de alerta precoce, a expansão de áreas verdes e a educação comunitária sobre os riscos das altas temperaturas são outras medidas apontadas como eficazes. O estudo completo está disponível na revista eletrônica Environment International.