Mudanças na NR-1 reforçam a importância da saúde mental no ambiente corporativo

A atualização da NR-1 agora exige que empresas identifiquem e previnam riscos psicossociais, visando reduzir o adoecimento mental entre funcionários. Essa mudança é uma resposta [...]

A partir de amanhã, as empresas brasileiras enfrentarão novas exigências relacionadas à saúde mental de seus funcionários, com a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora n° 1). Essa mudança, que envolve a fiscalização do Ministério do Trabalho, introduz oficialmente a preocupação com riscos psicossociais, incluindo estresse, burnout, assédio e violência no trabalho. O objetivo é que as organizações identifiquem fatores que podem levar ao adoecimento dos empregados e implementem planos de prevenção adequados.

A atualização da norma surge em um contexto preocupante, marcado pelo aumento significativo de afastamentos relacionados à ansiedade, depressão e esgotamento profissional. Em um debate no programa Mercado, a psicóloga e especialista em saúde mental corporativa, Erica Rodrigues, ressaltou que a nova abordagem da NR-1 é uma resposta necessária às condições emocionais adversas que têm sido observadas nas empresas. "O foco não é punir, mas sim atuar antes que o adoecimento aconteça", afirmou.

A essência da nova norma é a prevenção, deslocando-se de um modelo reativo para um modelo proativo. A meta é mitigar afastamentos, litígios trabalhistas e crises internas, através de um diagnóstico mais estruturado dos ambientes de trabalho. Erica Rodrigues explicou que as empresas agora terão o dever de mapear riscos em diferentes áreas e identificar situações como pressões excessivas, comunicação deficiente e definição inadequada de metas. Com base nessa avaliação, as organizações devem estabelecer um plano de ação para cada fator de risco identificado.

Um ponto crucial abordado pela especialista é que a NR-1 não exige a presença contínua de psicólogos nas empresas, tampouco transforma o empregador em responsável pela vida pessoal dos empregados. O foco da norma está na análise do ambiente organizacional e nas práticas de trabalho. Desde pequenas empresas até grandes corporações, todas precisarão se adaptar a essas novas exigências

Além disso, Erica Rodrigues destacou que a responsabilidade pela saúde mental não recai apenas sobre as empresas, mas também sobre os indivíduos. "Não é totalmente responsabilidade da empresa. A gente tem a responsabilidade do indivíduo e a responsabilidade da empresa", frisou. A atualização da NR-1 deve, ainda, contribuir para diminuir o estigma associado à saúde mental no ambiente de trabalho, promovendo discussões que antes eram frequentemente silenciadas nas corporações.

Com a nova norma, as organizações deverão incluir riscos psicossociais em seus programas de Saúde e Segurança no Trabalho, considerando fatores como assédio, estresse crônico e ambientes tóxicos. As empresas precisam identificar, avaliar e controlar situações que possam levar ao adoecimento mental, o que implica uma revisão nas práticas de liderança, nas metas estabelecidas e nas dinâmicas de trabalho internas.

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