Mortes por Policiais em nove estados brasileiros atingem patamar alarmante em 2024

Em 2024, polícias em nove estados brasileiros mataram 11 pessoas por dia, com forte viés racial, segundo dados da Rede de Observatórios. [...]
Mortes por Policiais em nove estados brasileiros atingem patamar alarmante em 2024
Foto: Agência Brasil

Boletim da Rede de Observatórios da Segurança revela disparidades raciais e aumento da letalidade em alguns estados.

Em 2024, polícias em nove estados brasileiros mataram 11 pessoas por dia, com forte viés racial, segundo dados da Rede de Observatórios.

Um levantamento da Rede de Observatórios da Segurança revelou um cenário alarmante de letalidade policial em nove estados brasileiros em 2024. Em média, 11 pessoas foram mortas por dia pelas polícias nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

O estudo, denominado ‘Pele Alvo’, também expõe uma gritante disparidade racial, com negros representando a maioria das vítimas.

Os dados indicam que, das 4.068 mortes registradas nos nove estados, 3.066 eram de pessoas pretas ou pardas. A pesquisa ressalta que a taxa de mortalidade de negros é 4,2 vezes maior que a de brancos. Na Bahia, por exemplo, a taxa entre negros foi de 11,5 mortos pela polícia para cada 100 mil habitantes, enquanto entre brancos foi de 2 para 100 mil.

Desigualdade Racial e Ações Policiais

O boletim também destaca que a proporção de pessoas negras mortas pela polícia é superior à proporção de negros na população em geral. No Rio de Janeiro, por exemplo, negros e pardos representam 57,8% da população, mas correspondem a 86,1% dos mortos pela polícia.

Além disso, mais da metade das vítimas tinham entre 18 e 29 anos.

A pesquisadora Francine Ribeiro, da Rede de Observatórios da Segurança, critica a atuação das forças de segurança, que seguem uma “lógica de enfrentamento letal” em vez de investir em prevenção e integração com outros setores. Ela defende a necessidade de políticas estruturadas de prevenção e a revisão do modelo de formação policial.

Apesar do quadro geral preocupante, o estudo aponta que a letalidade policial diminuiu no Rio de Janeiro após a implementação da ADPF das Favelas, ação do STF que limitou as operações policiais em favelas. No entanto, a pesquisadora ressalta que esse progresso pode ser revertido devido ao recente aumento das mortes em operações policiais no estado.

O boletim faz uma série de recomendações às autoridades, incluindo o uso obrigatório de câmeras corporais, a eliminação da rubrica ‘não informado’ para a raça/cor das vítimas, a revisão do modelo de formação policial e a instituição de um programa de atenção à saúde mental do policial. O estudo enfatiza que repetir estratégias ineficazes e desestimular ações que deram certo é contraproducente e leva à insegurança contínua da população.

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