Modelo Tributário Deficiente Gera Perdas Bilionárias Anuais ao Governo

Um estudo recente revelou que as atuais regras de cobrança de impostos no Brasil estão causando um prejuízo anual de mais de R$ 200 bilhões [...]

Um estudo recente revelou que as atuais regras de cobrança de impostos no Brasil estão causando um prejuízo anual de mais de R$ 200 bilhões aos cofres públicos. A pesquisa, conduzida por um especialista do Ipea, aponta para discrepâncias e ineficiências no sistema tributário que prejudicam a arrecadação e a justiça fiscal.

O estudo detalha como as diferentes modalidades de tributação do lucro empresarial – Simples Nacional, lucro presumido e lucro real – abrem espaço para distorções e perdas. Enquanto o Simples Nacional e o lucro presumido visam simplificar a vida de micro e pequenas empresas, o estudo argumenta que o sistema perdeu sua vocação original e se tornou uma fonte de injustiças tributárias. A crítica central reside no fato de que a tributação, nesses regimes, incide sobre o faturamento e não sobre o lucro real, desvinculando a cobrança da capacidade contributiva de cada empresa.

De acordo com o estudo, empresas podem manipular a alocação de custos e receitas entre unidades enquadradas em diferentes regimes tributários (lucro real e presumido) dentro de um mesmo grupo, minimizando o pagamento de impostos. A pesquisa indica que a diferença entre o imposto devido e o imposto teórico devido a essa política tributária especial chegou a R$ 200 bilhões em 2019, com R$ 87,7 bilhões referentes ao Simples e R$ 115,9 bilhões ao lucro presumido.

O pesquisador argumenta que a não tributação de dividendos também contribui para a regressividade do sistema tributário. Ele sugere que a tributação dessa parcela do lucro distribuída aos acionistas tornaria o sistema mais progressivo, permitindo a compensação com a diminuição de tributos sobre as empresas.

Além disso, o estudo propõe a implementação de uma cobrança adicional sobre o setor petrolífero em momentos de alta do preço do barril de petróleo, o que poderia gerar uma receita extra significativa para o governo. Essa medida buscaria capturar parte dos lucros extraordinários obtidos pelas empresas do setor em cenários de preços elevados. O pesquisador sugere uma alíquota variável de 10% a 20% sobre os lucros, quando o preço do barril ultrapassasse US$ 70,00.

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