O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) organizou uma reunião com representantes da Santa Casa de Campo Grande e das secretarias de saúde do estado e do município. O encontro teve como objetivo discutir soluções para o desabastecimento de insumos hospitalares e serviços laboratoriais, buscando evitar paralisações que comprometam o atendimento à população.
As reuniões emergenciais ocorreram nos dias 24 e 28 de agosto, em resposta à crise que se intensificou após a demissão em massa de médicos da instituição. Essa situação levou ao fechamento da ala de cirurgia cardíaca pediátrica, um serviço essencial para os pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O MPMS destacou que as discussões focaram na necessidade de garantir a continuidade do fornecimento de medicamentos, gases medicinais e insumos.
No ano anterior, em decorrência da deterioração da situação financeira da Santa Casa, foram implementadas medidas para assegurar a assistência à população que utiliza o SUS. Um acordo firmado em dezembro de 2025, no valor de R$ 54,1 milhões, possibilitou o pagamento de profissionais que enfrentavam atrasos de mais de seis meses nos salários, permitindo a continuidade dos atendimentos.
Entretanto, mesmo com o acordo, o hospital continuou enfrentando dificuldades financeiras em 2026. A falta de pagamento de salários, especialmente para colaboradores da categoria Pessoa Jurídica (PJ), resultou na saída de médicos que estavam há quatro meses sem receber. Essa situação crítica culminou no fechamento da ala de cirurgia cardíaca pediátrica, que era uma referência em Mato Grosso do Sul.
A dívida da Santa Casa com os funcionários e fornecedores, que inclui o pagamento de prestadores de serviços, poderia ser sanada caso o hospital recebesse R$ 757,2 milhões em ações judiciais que já foram vencidas. Essa quantia é considerada essencial para estabilizar a instituição e assegurar a continuidade do atendimento aos usuários do SUS.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) manifestou sua preocupação com as demissões dos médicos e a interrupção dos serviços de cirurgia cardíaca pediátrica. O CRM-MS ressaltou que o Código de Ética Médica garante ao médico o direito de condições dignas de trabalho e remuneração justa. O órgão também se comprometeu a atuar na fiscalização das condições éticas e técnicas do exercício da medicina, visando garantir a segurança dos pacientes e a continuidade da assistência médica.