A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após declarações do ex-presidente Michel Temer, que recomendou ao ministro Alexandre de Moraes um diálogo com o também ministro André Mendonça. Essa conversa teve como foco a necessidade de um entendimento entre os membros da Corte para evitar uma escalada de tensões, considerada grave por Temer.
Temer destacou que, na sua visão, um pacto de entendimento seria a solução ideal para a situação atual do STF. Em suas palavras, "qualquer solução litigiosa que o Supremo venha a dar será péssima para o País". Ele enfatizou a importância de um ângulo conciliatório em meio às discussões, especialmente considerando que a relação entre Moraes e Mendonça se deteriorou nas últimas semanas.
O ex-presidente fez esses comentários em um contexto em que a tensão na Corte se intensificou após a decisão de Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, junto com o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Essa ação, , dificultou as negociações internas que poderiam levar a uma solução harmoniosa. "Eu reconheço que complicou bastante", afirmou, referindo-se à rigorosidade da decisão.
Ele também mencionou que a conversa com Moraes ocorreu antes do afastamento dos diretores da PF, e que sua intenção sempre foi promover uma resolução interna para a crise. Mesmo considerando o agravamento da situação, ele acredita na capacidade dos ministros do STF de encontrarem um caminho para a estabilidade, pois, , "vai ficar muito mal para o Supremo e para o país" se não houver um entendimento.
Os desdobramentos recentes na Corte estão relacionados a revelações sobre as interações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, que vieram à tona por meio de reportagens que publicaram mensagens trocadas entre eles. Essas informações levaram Mendonça a abrir o sigilo do relatório da PF que tratava do assunto, o que gerou mais atritos entre os ministros.
Moraes acusou Mendonça de interferir nas investigações da PF e até de direcionar alvos para favorecer interesses políticos, utilizando como base um relatório da PF que foi considerado de pouca relevância probatória. Diante de toda essa confusão, o clima permanece tenso, e as soluções para o embate entre os membros do STF são cada vez mais necessárias, conforme apontado por Temer.