Mercantilização da pauta climática esconde armadilhas, alertam pesquisadores

Pesquisadores alertam sobre a mercantilização da pauta climática, que pode camuflar impactos negativos da extração de recursos para a transição energética. [...]

Estudo revela impactos socioambientais da extração de manganês no Pará, mineral estratégico para a transição energética.

Pesquisadores alertam sobre a mercantilização da pauta climática, que pode camuflar impactos negativos da extração de recursos para a transição energética.

Um estudo da Agência Brasil revela que a extração de manganês em Rio Preto, no Pará, para a produção de baterias de carros elétricos, esconde impactos ambientais e sociais, apesar de ser considerado estratégico para a transição energética. A pesquisa alerta para a ‘camuflagem’ de práticas destrutivas sob o discurso da sustentabilidade.

A extração de manganês, vendido para diversos países, gera poeira, lama, riscos de acidentes e de rompimento de barragens, além de conflitos internos, afetando a população local. Pesquisadoras Ailce Alves e Larissa Santos destacam que a transição energética não pode ser apenas uma fachada para a continuidade de práticas exploratórias.

Impactos e Resistências

O estudo integra a coleção de livros ‘Politizando o Clima: poder, territórios e resistências’, que analisa as disputas em torno da política energética e a mercantilização da natureza. A coletânea busca fortalecer a justiça socioambiental e o enfrentamento ao racismo ambiental e ao colonialismo verde.

Elisangela Paim, uma das organizadoras, destaca a importância de analisar criticamente as políticas e os atores envolvidos nas discussões sobre mudanças climáticas, considerando as implicações territoriais, de classe, raça e gênero. A coleção também enfatiza as resistências que emergem nos diversos contextos analisados.

Os debates presentes nos livros visam ir além das narrativas hegemônicas sobre mudanças climáticas e transição energética, abordando temas que estarão presentes na COP30 em Belém. As autoras criticam estratégias de governos e empresas que não promovem transformações estruturais e despolitizam o debate climático.

David Williams, da Fundação Rosa Luxemburgo, ressalta que a ‘transição verde’ pode resultar em uma continuidade colonial, com países ricos priorizando o verde em seus territórios e exportando os prejuízos. Ele critica a falta de cumprimento das promessas de financiamento climático para mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento.

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