As novas ameaças comerciais do presidente americano Donald Trump voltaram a agitar os mercados globais e abriram espaço para discussões sobre uma possível fuga gradual de capital estrangeiro dos ativos dos Estados Unidos. A tensão aumentou após Trump condicionar a autorização para anexação da Groenlândia ao aumento de tarifas sobre produtos europeus. As novas taxas começariam em 10% a partir de 1º de fevereiro e subiriam para 25% em junho, reacendendo a política de venda a América.
A repercussão foi imediata: as bolsas europeias caíram mais de 1% na segunda-feira e os futuros das ações americanas indicaram fraqueza após o feriado nos EUA. O dólar também recuou diante de moedas como euro, libra e franco suíço — este último, um porto seguro tradicional, teve sua maior valorização diária frente à moeda americana em um mês.
Francesca Fornasari afirmou que muitos investidores ficaram consternados com os acontecimentos do fim de semana e passaram a refletir sobre a forma como administram seus ativos. Ela pondera que o dólar ainda é sustentado por uma economia americana robusta, mas os sinais de instabilidade política e comercial aumentam a pressão sobre investidores estrangeiros.
A exposição europeia ao mercado americano é relevante: investidores da região detêm cerca de US$ 8 trilhões em ações e títulos dos EUA, segundo o Deutsche Bank — quase o dobro do resto do mundo somado. À Reuters, George Saravelos escreveu que, diante de um ambiente em que a estabilidade geoeconômica da aliança ocidental está sendo existencialmente abalada, não é claro por que os europeus continuariam dispostos a exercer esse papel.