Médicos na Amazônia: Cobertura Ainda Precária Apesar de Avanços Recentes

Aos 13 anos, Marcos descobriu sua perda auditiva em consulta gratuita no Quilombo Piratuba, Abaetetuba (PA). O diagnóstico precoce foi possível graças ao projeto Rios [...]

Aos 13 anos, Marcos descobriu sua perda auditiva em consulta gratuita no Quilombo Piratuba, Abaetetuba (PA). O diagnóstico precoce foi possível graças ao projeto Rios da Saúde, iniciativa voluntária da Afya Faculdade de Ciências Médicas Abaetetuba, que leva atendimento e aulas práticas para a região amazônica.

Apesar dos esforços, a cobertura médica na região Norte ainda é a menor do país. A realidade de Marcos ilustra a dificuldade de acesso a especialistas e a importância de iniciativas como a dos médicos voluntários. Segundo dados, o Pará possui uma das piores distribuições de médicos, com 1,38 profissionais por mil habitantes, atrás apenas do Maranhão.

O programa Mais Médicos impulsionou um aumento no número de profissionais na região Norte. Em 2011, eram 15.624 médicos, saltando para 30.549 em 2024. Apesar do avanço, a necessidade de especialistas e a falta de um plano de cargos federal dificultam a fixação dos profissionais na região.

O governo federal tem investido na ampliação de vagas em cursos de medicina na região, priorizando municípios com menor cobertura. A estratégia é que 10% das vagas nos novos cursos sejam com bolsa integral, aumentando a probabilidade de que os estudantes permaneçam na região após a formação.

Embora o Brasil tenha expandido o ensino médico nos últimos anos, a Associação Médica Brasileira expressa preocupação com a falta de investimento na residência médica. Para muitos médicos, trabalhar em comunidades remotas requer preparo cultural e psicológico, além de um vínculo empregatício mais sólido.

Para Fagner Carvalho, infectologista nascido em Abaetetuba, atender a população local é gratificante. Ele coordena o Serviço Especializado em Doenças de Chagas, atuando em uma região com alta incidência da doença. Carvalho se tornou inspiração para estudantes como Gabriel Pinheiro, bolsista no curso de medicina em Abaetetuba, que participou dos atendimentos no Quilombo Piratuba.

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