A médica responsável pelo procedimento estético realizado na maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, afirmou que o PMMA (polimetilmetacrilato) é um material seguro, com base em estudos, e que ela mesma utiliza em seu corpo. Roseli, Moradora de Jardim, viajou até São Paulo para realizar uma remodelação nos glúteos, coxas e quadríceps. O procedimento foi realizado na segunda-feira, dia 25, e ela deveria retornar em outra data para a intervenção no quadríceps.
Na terça-feira, dia 26, Roseli passou mal e sofreu uma parada cardiorrespiratória, vindo a falecer no local onde se localiza o consultório médico. O caso está sob investigação do 27º DP, sob a supervisão do Dr. Ignácio Francisco, e a médica prestou depoimento na mesma data.
Durante seu depoimento, a profissional de saúde informou que possui pós-graduação em dermatologia, embora não tenha feito residência na área. Ela relatou que realiza procedimentos estéticos não cirúrgicos há seis anos, atuando em Goiânia e atendendo em São Paulo há cerca de três anos.
O procedimento realizado na maquiadora consistiu na aplicação de 240 ml de PMMA em gel nos glúteos, sendo 120 ml em cada lado e 30 ml em cada posterior, totalizando 300 ml do produto, que foi distribuído utilizando 100 seringas de 3 ml cada. A médica destacou que a concentração do polimetilmetacrilato é de 30% e que não existem restrições temporais para a realização do procedimento. Roseli recebeu uma anestesia diluída em soro antes da aplicação.
A médica ainda declarou que nunca havia enfrentado intercorrências durante os procedimentos que realiza, que incluem correções volumétricas faciais e corporais. Essas correções são utilizadas para tratar alterações de volume em pacientes que sofreram sequelas de doenças como a poliomielite ou que têm lipodistrofia, um distúrbio que leva à concentração de gordura em determinadas partes do corpo, especialmente em pacientes sob tratamento antirretroviral para HIV/Aids.
A Anvisa esclarece que o PMMA, quando utilizado dentro das diretrizes aprovadas e em condições adequadas, apresenta um perfil de risco-benefício aceitável. Atualmente, existem dois preenchedores intradérmicos à base de PMMA registrados no Brasil: o LINNEA SAFE, fabricado pela Lebon Produtos Farmacêuticos Ltda., e o BIOSSIMETRIC, da MTC Medical Comércio Indústria Importação e Exportação de Produtos Biomédicos Ltda. A manipulação de produtos à base de PMMA para fins estéticos é proibida em farmácias, conforme regulamentação da agência.