A epidemia de chikungunya em Mato Grosso do Sul ganha um novo contorno com a confirmação da primeira morte no município de Itaporã em 2026. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (29), elevando para 21 o total de óbitos pela doença no Estado, que concentra cerca de 63% das mortes registradas em todo o Brasil.
A vítima, um homem de 50 anos, apresentava coinfecção por influenza e chikungunya, além de comorbidades que agravaram seu estado de saúde, incluindo doença cardiovascular crônica, imunodeficiência/imunodepressão e histórico de tabagismo. A Secretaria Municipal de Saúde de Itaporã relatou que a confirmação do diagnóstico de chikungunya ocorreu em 5 de abril, com agravamento da condição no dia 29 do mesmo mês, levando à internação. O paciente foi transferido ao Hospital Regional de Dourados, onde permaneceu até o falecimento em 13 de maio.
A situação epidemiológica em Itaporã é preocupante. Até agora, o município registrou 139 casos possíveis da doença, resultando em uma incidência de 550,2 casos a cada 100 mil habitantes, considerando a população estimada em 24.137 moradores. O município, que fica a 227 km de Campo Grande e é vizinho de Dourados, já havia iniciado a vacinação contra a chikungunya em 18 de abril, visando indivíduos de 18 a 59 anos sem comorbidades.
O diagnóstico inicial do paciente não incluía a chikungunya nas causas da morte, constando apenas como óbito associado à influenza. Contudo, após análise pela Vigilância Epidemiológica, que revisou o histórico clínico e exames do paciente, a Declaração de Óbito foi retificada para incluir a coinfecção como causa do óbito. Essa atualização resulta na inclusão do caso nos boletins epidemiológicos da saúde pública.
A chikungunya é uma arbovirose provocada pelo vírus CHIKV, transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. Desde sua introdução nas Américas em 2013, a doença já causou epidemias em vários países. Os sintomas, que se assemelham aos da dengue, podem ser mais intensos e duradouros, com febre alta e dores articulares severas que podem persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, essas dores podem se tornar crônicas, durando anos.
Além dos sintomas típicos, a chikungunya pode resultar em complicações que afetam o sistema cardiovascular, renal, dermatológico e neurológico, incluindo condições graves como encefalite e síndrome de Guillain-Barré. O diagnóstico e tratamento estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e a orientação é que pessoas com sintomas procurem atendimento médico imediatamente.