A transformação do Centro-Oeste brasileiro em três estados distintos revela uma tapeçaria cultural moldada por divisões históricas e influências regionais.
A divisão do antigo território de Mato Grosso deu origem a três estados distintos: Mato Grosso, Rondônia e Mato Grosso do Sul, cada um com identidades culturais únicas e características marcantes.
A divisão do antigo território de Mato Grosso, iniciada em 1943 e culminando na criação de Mato Grosso do Sul em 11 de outubro de 1977, resultou na formação de três estados com identidades culturais, sotaques e sabores únicos. Antigamente, uma vasta província cobria uma área que se estendia do Pantanal à Amazônia, totalizando quase 2.000 quilômetros. A necessidade de uma administração mais eficaz e a existência de grandes distâncias impulsionaram a fragmentação desse imenso território.
Mato Grosso do Sul, o mais jovem dos três, teve sua instalação efetiva em 1º de janeiro de 1979, com Campo Grande estabelecida como capital. A Lei Complementar nº 31, sancionada em 1977 pelo então presidente Ernesto Geisel, oficializou a separação, atendendo a um desejo antigo dos moradores do sul mato-grossense por mais investimentos e autonomia. Nos primeiros anos, o estado enfrentou o desafio de consolidar sua estrutura administrativa, herdando 55 municípios e expandindo-se com a criação de mais 24 novas localidades ao longo das décadas seguintes. A região demonstrou um crescimento populacional notável, superando Mato Grosso em mais de 200 mil habitantes entre 1980 e 1985, e sua economia se consolidou fortemente no agronegócio, registrando um PIB de R$ 106,9 bilhões em 2019.
A história da divisão territorial começou em 1943, quando Getúlio Vargas separou o Território Federal do Guaporé, que posteriormente se tornou Rondônia em 1956, em homenagem ao marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Rondônia, que virou estado em 1981, desenvolveu uma cultura com forte influência amazônica, refletida em pratos como o tacacá e o pirarucu de casaca, e um sotaque suave que remete ao Pará e ao Nordeste. O engenheiro eletricista Alysson Bernardes, natural de Corumbá e residente em Porto Velho desde 2001, relata as peculiaridades climáticas da região, marcada por verões quentes e invernos chuvosos, além da alta umidade que exige cuidados com a conservação de objetos.
Mato Grosso, o “tronco” original, nasceu da corrida pelo ouro no século XVIII, com a fundação de Cuiabá em 1719. Sua cultura é um mosaico de influências sertanejas, indígenas e pantaneiras, manifestada em danças como cururu e siriri, e uma culinária rica em peixes e frutos do Cerrado, como o pacu assado e o arroz com pequi. Diferente de seus irmãos, o estado mantém um sotaque melódico, com um “r” leve e um “s” sibilante. A economia mato-grossense também é robusta, com um PIB de R$ 142,1 bilhões em 2019, destacando-se pela pecuária e agricultura. A trajetória desses três estados ilustra a complexidade da formação do Brasil e a riqueza de suas identidades regionais.