A Justiça do Reino Unido negou o pedido da mineradora BHP para recorrer de uma decisão que a considera legalmente responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. A empresa anglo-australiana, juntamente com a Vale, controla a mineradora Samarco, responsável pela barragem na ocasião.
A Corte manteve o entendimento da primeira instância e confirmou que a BHP pode ser responsabilizada pelo desastre, mesmo sem operar diretamente a barragem. Além de rejeitar o recurso, o tribunal determinou que a mineradora arque com 90% dos custos da fase 1 do julgamento e faça um pagamento antecipado de 43 milhões de libras esterlinas, cerca de R$ 309 milhões.
O desastre de Mariana deixou 19 pessoas mortas, engoliu o distrito de Bento Rodrigues e contaminou o Rio Doce com um mar de mais de 40 milhões de metros cúbicos de lama tóxica. Os atingidos que entraram com a ação coletiva na Inglaterra são representados pelo escritório Pogust Goodhead.
Em nota, o escritório de advocacia celebrou a decisão, afirmando que pela primeira vez em uma década, uma das empresas envolvidas foi oficialmente responsabilizada, um marco para a justiça ambiental e para todos os atingidos que nunca deixaram de lutar.