O segundo dia do julgamento do Caso Henry, realizado no 2º Tribunal do Júri no Rio de Janeiro, trouxe novas revelações sobre a morte do menino de 4 anos. O delegado Edson Henrique Damasceno, que liderou a investigação, afirmou que a análise de prints de mensagens do celular da babá, Thayná de Oliveira Ferreira, foi fundamental para descobrir uma suposta "farsa" em torno do caso. Damasceno destacou que, sem essas evidências, a mentira poderia ter persistido.
Na madrugada de 8 de março de 2021, Henry Borel foi encontrado sem vida, e a investigação inicial indicava um acidente doméstico. No entanto, após o laudo cadavérico mostrar lesões graves, o delegado decidiu mudar o rumo das apurações. Ele enumerou as lesões que o menino apresentava, como danos no rim, pulmão, cabeça e fígado, além de equimoses pelo corpo.
De acordo com o delegado, o casal Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, afirmava ter uma relação harmoniosa e que as lesões de Henry eram consequência de uma queda da cama. Contudo, uma simulação realizada na residência do casal demonstrou que as lesões eram incompatíveis com essa versão. Damasceno ressaltou que o laudo foi assinado por oito peritos, confirmando que Henry foi vítima de agressões que culminaram em sua morte.
A análise das mensagens do celular da babá revelou relatos sobre outros episódios de agressão perpetrados por Jairinho contra a criança. O delegado detalhou que, ao examinar as conversas entre Thayná e Monique, além das trocas de mensagens com o namorado da babá, ficou evidente a existência de um padrão de violência.
O julgamento, que teve início no dia 25 de setembro de 2023, também enfrentou tentativas de adiamento. Jairinho havia solicitado uma nova prorrogação, mas recuou após ser informado sobre a possibilidade de transferência para um presídio de segurança máxima, caso não comparecesse ao tribunal. O Ministério Público acusa Jairinho de homicídio qualificado, tortura e outros crimes, enquanto Monique responde por homicídio por omissão e outros delitos.
O caso, que chocou a sociedade, envolve questões complexas sobre a dinâmica familiar e a responsabilidade dos adultos em relação à proteção da criança. A expectativa é que o julgamento traga mais clareza sobre os eventos que levaram à trágica morte de Henry Borel.