O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira, 26 de outubro, a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira que desenvolve grandes modelos fundacionais de inteligência artificial generativa e de dados. O valor da transação é de R$ 2,92 bilhões, conforme os termos do acordo.
A relação entre o banco e a startup começou antes. Em janeiro de 2025, a NeoSpace foi avaliada em US$ 100 milhões em uma rodada de US$ 18 milhões liderada pelo Itaú, com participação de Martin Escobari, da General Atlantic, e Micky Malka, da Ribbit Capital. Em comunicado, o banco afirmou que a IA generativa terá papel central na evolução dos serviços bancários, permitindo experiências mais contextualizadas e personalizadas.
“O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira”, disse Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco. “A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição. Ao reunir tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala, estamos construindo as condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo”, acrescentou.
A startup foi criada no fim de 2023 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira. Ela seguirá operando como empresa independente, sob o comando de Pierobon, que também é CEO. “Essa nova etapa cria condições para aprofundar nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a continuidade da equipe e da visão que deram origem à empresa”, afirmou o executivo. A NeoSpace aposta no conceito de Large Data Model (LDM), que, diferentemente dos Large Language Models (LLM), interpreta qualquer formato de dado e documento, e não apenas linguagem.
O Itaú já havia comprado em 2019 a Zup, empresa de software fundada em 2011 por Pierobon, Almeida e Debs, por mais de R$ 500 milhões. A tecnologia da NeoSpace vem sendo aplicada em iniciativas conjuntas e deve contribuir para frentes como a ia.i, plataforma de IA generativa do banco lançada no fim de julho, com projeção de acesso a 100% dos usuários pessoa física do superapp até o fim de 2026. A startup também atua em setores como telecom, aviação e energia e mantinha negociações avançadas com possibilidades nos Estados Unidos, onde monta um escritório, e na Europa, segundo Pierobon revelou em entrevista.