O Irã pode suspender o bloqueio generalizado da internet em alguns dias, após o governo ter cortado comunicações enquanto reprimia protestos considerados os mais graves desde a Revolução Islâmica de 1979. A medida buscava dificultar a organização dos protestos e limitar a circulação de imagens e informações. O acesso à internet foi interrompido em todo o país no fim de dezembro, quando manifestações contra o governo ganharam força e foram respondidas com uso de força letal por autoridades de segurança.
A televisão estatal iraniana aparentou ter sido invadida por hackers, exibindo discursos do ex-presidente dos EUA Donald Trump e de Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, ambos fazendo apelos para que a população se revoltasse contra o regime. Desde a repressão inicial, que durou três dias e foi marcada por violência em larga escala, as ruas do país permanecem em silêncio há cerca de uma semana, segundo relatos de moradores e observadores internacionais.
Uma autoridade iraniana disse que mais de 5.000 pessoas morreram, incluindo 500 membros das forças de segurança. Parte dos confrontos ocorreu em regiões de maioria curda no noroeste do país. Grupos de direitos humanos iranianos baseados no Ocidente também afirmam que milhares foram mortos.
A possível retomada do acesso à internet pode ser um sinal de que o governo iraniano está buscando reduzir a tensão no país, após a onda de protestos que ganhou força em dezembro. No entanto, a situação no Irã continua sendo monitorada de perto por observadores internacionais, que temem uma escalada da violência e uma possível guerra