O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) investiga a atuação de uma organização criminosa em Mato Grosso do Sul, com indícios de que seus membros tenham vínculos com policiais no Estado de São Paulo. A Operação Infiltrados, deflagrada na semana passada, busca desmantelar um esquema que envolvia o desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança pública.
Documentos do Gaeco revelam que o esquema pode ter raízes em Mato Grosso do Sul, mas com ramificações em São Paulo. Essa hipótese surgiu a partir da apreensão de 601 quilos de maconha, ocorrida em maio de 2025, na Avenida Raposo Tavares, em Regente Feijó (SP). Durante essa operação, a droga foi encontrada escondida no fundo falso de um caminhão que pertencia a um indivíduo conhecido como 'Gordinho'. Lucas da Silva dos Santos, apelidado de 'LK', teria organizado o transporte de 600 quilos de entorpecentes de Ponta Porã para São Paulo.
A investigação indica que 'LK' tinha planos de interceptar o veículo com a ajuda de policiais civis envolvidos no esquema. Um elemento que chamou a atenção dos investigadores foi um vídeo encontrado no celular de 'LK', que mostrava o momento em que policiais militares de São Paulo localizaram a carga de maconha, evidenciando uma possível coordenação entre a organização criminosa e as forças de segurança.
Os documentos do Gaeco afirmam que a organização criminosa contava com aliados em São Paulo que poderiam interceptar e desviar cargas de drogas. A presença de materiais sigilosos, como boletins de ocorrência e o vídeo da abordagem policial, sugere que a operação no estado paulista poderia ter sido planejada em conjunto com os criminosos, especialmente para desviar cocaína, que não foi registrada como apreensão.
A Operação Infiltrados também resultou em duas prisões temporárias e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações tiveram início em outubro de 2025, com base em informações obtidas em operações anteriores, como Traquetos e Blindspot, que revelaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.
O modo de operação da organização criminosa consistia na manipulação dos registros de apreensão de drogas, seja omitindo parte do material arrecadado ou subtraindo entorpecentes do depósito policial. As drogas desviadas eram então entregues a traficantes afiliados, que reintroduziam os produtos no mercado ilegal. Os policiais envolvidos teriam utilizado suas funções para atuar como fornecedores para o tráfico, comprometendo a integridade das operações de combate ao crime.