A intervenção no Consórcio Guaicurus, anunciada pela Prefeitura de Campo Grande na manhã desta terça-feira (16), gerou reações diversas entre os usuários do transporte coletivo. Em conversas nas ruas da cidade, muitos passageiros expressaram tanto esperança quanto descrença em relação às possíveis melhorias no serviço.
Dorcas Saldanha, telefonista, manifestou otimismo quanto aos efeitos da intervenção, ressaltando que os próximos 180 dias podem representar uma oportunidade de mudança. "Estamos torcendo para que seja porque já está intervindo tarde demais", afirmou. Ela também criticou a falta de renovação da frota, que considera essencial, e apontou o desconforto causado pela ventilação limitada nos ônibus.
Em sua fala, Dorcas sugeriu que os coletivos poderiam ter um design mais adequado ao clima quente da cidade. "Esses ônibus não foram projetados pra cá… mesmo que não colocassem ar condicionado, poderiam fazer igual aos ônibus dos presidiários, que têm uma tela para abrir a janela embaixo", disse. Para ela, essa seria uma alternativa para melhorar a circulação de ar nos veículos.
Por outro lado, o ascensorista José Barbosa não acredita que a intervenção trará mudanças significativas. "Enquanto não entrar outra empresa e a prefeitura não investir no transporte público, não melhora nada", declarou. Ele se alinha à opinião de outros passageiros que também veem a necessidade de uma nova empresa para operar o serviço.
A operadora de caixa Graciele da Silva Ferreira expressou sua preocupação com o futuro do transporte. Ela questionou o que ocorrerá se a situação não melhorar, ressaltando a dependência dos usuários em relação aos ônibus para trabalhar. Essa preocupação é compartilhada por outros, como o pintor Valdir Duarte, que afirmou: "Só melhora se entrar outra empresa. Se não entrar outra empresa, não melhora nada".
O decreto de intervenção prevê que a equipe de interventores, que receberá remuneração com base nos salários dos executivos do Consórcio Guaicurus, terá acesso a todos os sistemas e documentos da empresa. Além disso, a intervenção não implicará na transferência de propriedade dos bens da concessionária, nem afastará as responsabilidades de seus administradores.