Iniciativa em presídio do Rio reduz agressões contra mulheres

Um projeto pioneiro no Rio de Janeiro tem mostrado resultados promissores na redução da reincidência de violência contra mulheres. Grupos reflexivos em presídios diminuem agressões. [...]
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Taxa de reincidência de violência de gênero cai de 17% para 1,5% após participação de homens condenados em grupos reflexivos no Rio de Janeiro.

Um projeto pioneiro no Rio de Janeiro tem mostrado resultados promissores na redução da reincidência de violência contra mulheres. Grupos reflexivos em presídios diminuem agressões.

Após a implementação de grupos reflexivos para homens condenados por violência de gênero, a reincidência de agressões diminuiu drasticamente no Rio de Janeiro. O projeto, que atua em uma unidade prisional de São Gonçalo, já beneficiou cerca de mil internos desde dezembro do ano passado, mostrando resultados promissores na quebra do ciclo de violência contra mulheres.

Denominado Serviço de Educação e Responsabilização do Homem (SerH), a iniciativa prevê oito sessões coletivas, cada uma com 50 minutos de duração. Nestes encontros, grupos de até 35 homens debatem temas como masculinidade e as diversas formas de violência contra as mulheres. A participação, que é inteiramente voluntária e não oferece vínculo com a redução de pena, visa primordialmente promover a reflexão e a responsabilização dos agressores por seus atos. Após o cumprimento das sentenças, todos os participantes são monitorados por um ano para verificar eventuais novos registros de agressão.

Os números iniciais do SerH são notáveis. Dos 195 homens que cumpriram suas penas e deixaram o sistema prisional, apenas três foram denunciados por novas agressões ao longo de seis meses de acompanhamento. Isso se traduz em uma taxa de reincidência de apenas 1,5%, um contraste significativo com os 17% observados antes da implementação do programa. Uma pesquisa divulgada pela organização também indicou uma mudança profunda na percepção dos participantes: o entendimento de que forçar a companheira a ter relação sexual configura violência passou de 83,4% para 91,6%, enquanto a compreensão sobre a violência patrimonial (como esconder dinheiro e documentos) saltou de 34% para 76,5%.

O diretor do Instituto Mapear, Luciano Ramos, responsável pelas atividades, explica que muitos homens chegam ao sistema prisional culpando as vítimas por sua situação. Ele ressalta que os grupos reflexivos, com sua metodologia específica, os auxiliam a compreender que foram seus próprios atos que os levaram à prisão, configurando crimes previstos em lei. A secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar, classificou o projeto como o primeiro nesse modelo e escala a ser desenvolvido dentro de uma unidade prisional no Brasil, enfatizando a necessidade de investir em abordagens diferentes para obter resultados distintos. Os primeiros resultados foram apresentados em um seminário recente ocorrido na capital fluminense.

Um pesquisador da área de masculinidades e violência de gênero, que participou do evento, reforçou que a estratégia dos grupos reflexivos já é reconhecida e inclusive está prevista na Lei Maria da Penha. Ele destacou a importância de considerar os homens como parte da solução do problema, ressignificando a masculinidade e promovendo a responsabilização para a proteção de mulheres e meninas. O levantamento do perfil dos participantes revelou que a maioria tem até 34 anos, com quase 40% abaixo dos 23 anos. A pesquisa também apontou que 73% se declaram negros e 63,4% evangélicos, com um terço sem ensino fundamental completo. A dependência de substâncias é um fator relevante, com 64% declarando adição em álcool e 38% em cocaína, entre outros. Quanto aos motivos da prisão, 45% estavam detidos por violência física, 31% por violência psicológica ou verbal e 20% por descumprimento de medida protetiva. O projeto é uma parceria entre as secretarias estaduais da Mulher e de Administração Penitenciária.

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