Impactos da guerra no Irã na disputa militar entre EUA, China e Rússia

Conflito no Irã provoca alta no petróleo e pode afetar a competição tecnológica e militar dos EUA com China e Rússia, segundo análise do Soufan [...]
Foto: Busca Gazeta do Povo

A guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, que completou um mês, provoca consequências além do campo de batalha. A alta dos preços do petróleo e do gás é uma das mais visíveis, resultado do bloqueio quase total do Estreito de Ormuz pelo regime iraniano, que antes da guerra era responsável por cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial.

Além dos impactos imediatos, a situação começa a influenciar a disputa tecnológica e militar dos Estados Unidos com China e Rússia. O think tank Soufan Center apontou que a guerra pode dificultar a competição dos EUA com a China, devido à interrupção de cadeias de suprimentos essenciais, como hélio e enxofre liquefeito, e à destruição de ativos energéticos no Golfo Pérsico.

O coronel da reserva do Exército brasileiro Marco Antonio de Freitas Coutinho, especialista em relações internacionais, destaca que cada míssil Tomahawk americano depende de pelo menos 18 minerais críticos, muitos processados na China, que podem ser afetados pelas interrupções logísticas no Golfo Pérsico. Materiais como tântalo, prata e cobalto são indispensáveis para a precisão e resistência desses mísseis.

Coutinho enfatiza que a China domina o processamento de terras raras e metais críticos, sendo menos vulnerável a choques energéticos. O analista também observa que a China pode aumentar sua influência na região após o conflito. A capacidade dos Estados Unidos de manter operações militares depende de cadeias de suprimentos dominadas pela China, o que pode reforçar tendências que favorecem o país asiático a médio e longo prazo.

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