Impactos climáticos já atingem 1/3 da população na Amazônia Legal

Moradores da Amazônia Legal relatam aumento na conta de luz, temperatura e desastres ambientais, segundo pesquisa. Comunidades tradicionais são as mais afetadas. [...]

Pesquisa revela que moradores da região sentem no dia a dia os efeitos das mudanças no clima, como aumento na conta de luz e desastres ambientais.

Moradores da Amazônia Legal relatam aumento na conta de luz, temperatura e desastres ambientais, segundo pesquisa. Comunidades tradicionais são as mais afetadas.

Moradores da Amazônia Legal sentem no dia a dia os efeitos das mudanças climáticas, como o aumento da conta de luz e a ocorrência de desastres ambientais, conforme pesquisa divulgada nesta quarta-feira (8). O levantamento, realizado pela Umane e Vital Strategies com apoio do Instituto Devive, ouviu 4.037 pessoas em nove estados da região entre 27 de maio e 24 de julho de 2025.

De acordo com Luciana Vasconcelos Sardinha, da Vital Strategies, a população da Amazônia Legal já percebe os reflexos das mudanças climáticas em seu cotidiano. A pesquisa revela que 32% dos moradores da região sentem diretamente esses efeitos, número que sobe para 42,2% entre os povos e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e seringueiros.

Entre os impactos mais sentidos pelos moradores estão o aumento da conta de energia elétrica (83,4%), o aumento da temperatura média (82,4%), o aumento da poluição do ar (75%), a maior ocorrência de desastres ambientais (74,4%) e o aumento do preço dos alimentos (73%). Além disso, 64,7% dos entrevistados relataram ter vivenciado ondas de calor nos últimos dois anos, enquanto 29,6% acompanharam eventos de seca persistente, agravada por mais calor e menos chuva, além de incêndios florestais com fumaça intensa.

A pesquisa também revelou que as mudanças climáticas têm provocado alterações nos hábitos dos moradores da Amazônia Legal. Metade da população (53,3%) afirmou ter reduzido práticas que acredita poder contribuir para o agravamento do problema, e 38,4% disseram sentir culpa por desperdiçar energia. A maioria dos residentes costuma separar o lixo para reciclagem (64%), prática ainda mais comum entre povos e comunidades tradicionais (70,1%).

Luciana Vasconcelos Sardinha ressalta a importância de políticas públicas que foquem na redução das desigualdades regionais e em um modelo de desenvolvimento que implique participação demográfica, socialização dessas políticas e, principalmente, sustentabilidade. Ela destaca ainda o protagonismo dos povos tradicionais, que precisam ser considerados na busca por soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

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