O governo Lula decidiu não assinar o comunicado do Mercosul que cobra a restauração da democracia na Venezuela. A avaliação do Itamaraty foi de que o texto ignorou a presença militar estrangeira no Caribe e poderia ser interpretado como aval às ações dos Estados Unidos na região.
A iniciativa do documento partiu do presidente da Argentina, durante a cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná. Argentina, Paraguai e demais integrantes do Mercosul apoiaram o texto, enquanto Brasil e Uruguai ficaram de fora.
Segundo diplomatas brasileiros, o tema Venezuela vinha sendo negociado havia semanas. O Brasil aceitava abordar violações de direitos humanos e a crise humanitária sob o governo de Nicolás Maduro, mas defendia uma posição mais equilibrada do bloco.
O comunicado divulgado reuniu as assinaturas dos presidentes da Argentina, do Paraguai e do Panamá, além de autoridades de alto escalão da Bolívia, do Equador e do Peru, que manifestaram profunda preocupação com a crise migratória, humanitária e social na Venezuela.