A Faixa de Gaza enfrenta o “pior cenário possível de fome”, de acordo com um alerta emitido pela Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC), órgão técnico apoiado pela ONU. O relatório aponta para um aumento nas mortes relacionadas à fome, impulsionado pela desnutrição generalizada e doenças.
Dados recentes indicam que os níveis críticos de fome foram atingidos em grande parte da Faixa de Gaza, especialmente na Cidade de Gaza, onde a desnutrição aguda alcançou patamares alarmantes. Em maio, o IPC já havia expressado preocupação com o risco crítico de fome que aflige os cerca de 2,1 milhões de palestinos que residem em Gaza.
Apesar da gravidade da situação, este alerta não configura uma declaração formal de fome. O IPC planeja realizar uma nova análise em breve. Autoridades da ONU têm feito apelos urgentes por um cessar-fogo imediato e um aumento significativo na ajuda humanitária. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, descreveu a “destruição total de Gaza” como intolerável.
O relatório da IPC enfatiza que apenas o fim das hostilidades e o acesso humanitário irrestrito e em larga escala podem evitar mais mortes e um sofrimento humano catastrófico. O acesso a alimentos e serviços essenciais atingiu níveis sem precedentes, e a proporção de famílias enfrentando fome extrema dobrou entre maio e julho de 2025. Na Cidade de Gaza, a taxa de desnutrição saltou de 4,4% em maio para 16,5% em julho, e dois quintos das mulheres grávidas ou lactantes estavam em estado de desnutrição aguda em junho.
O relatório também critica a Gaza Humanitarian Foundation (GHF), um grupo apoiado por Israel e pelos Estados Unidos. A análise dos pacotes de alimentos distribuídos pela GHF concluiu que o plano de distribuição levaria à fome em massa. A maioria dos itens fornecidos não está pronta para consumo e requer água e combustível para preparo, que são amplamente indisponíveis. O acesso aos pontos de distribuição da GHF é considerado arriscado e desigual.
A coleta de dados em Gaza tem sido extremamente difícil, devido aos bloqueios e aos combates, que impedem a realização de pesquisas necessárias para a classificação formal de fome. Deslocamentos forçados e restrições de movimento complicam ainda mais a situação.
Enquanto isso, o governo israelense afirma estar facilitando a entrada de ajuda humanitária em Gaza e nega a existência de uma política de fome. Corredores humanitários foram abertos e pausas táticas foram implementadas para facilitar a distribuição da ajuda. No entanto, o relatório da IPC destaca que a ajuda humanitária continua extremamente restrita devido a pedidos de acesso humanitário repetidamente negados e a incidentes de segurança frequentes.