Em "Bartleby e Eu", jornalista americano detalha bastidores de reportagens e sua visão sobre o "novo jornalismo"
Em livro, o jornalista Gay Talese, 93, revisita o início da carreira e sua visão sobre o "novo jornalismo", estilo que mistura técnicas literárias e reportagem.
Um dos grandes nomes do “novo jornalismo”, o americano Gay Talese, de 93 anos, lançou no Brasil o livro “Bartleby e Eu”, onde compartilha suas memórias do início de sua trajetória profissional. A obra, que já havia sido publicada nos Estados Unidos há dois anos, agora chega ao país pela coleção Jornalismo Literário, da Companhia das Letras.
Considerado um dos expoentes do estilo que utiliza técnicas da literatura em reportagens, transformando textos jornalísticos em narrativas mais elaboradas, Talese detalha sua experiência no The New York Times, onde começou como mensageiro aos 21 anos, em 1953. Durante esse período, ele aproveitava as horas vagas para escrever reportagens sobre pessoas comuns, depositando-as na mesa dos editores na esperança de que fossem publicadas.
Após um período nas Forças Armadas, Talese retornou ao The New York Times em 1956, onde permaneceu até 1965. Posteriormente, foi contratado pela revista Esquire para produzir perfis de celebridades. Um dos seus trabalhos mais notórios foi a reportagem “Frank Sinatra está resfriado”, publicada em abril de 1966, na qual ele narra suas tentativas de entrevistar o cantor e como acabou construindo o perfil a partir de entrevistas com pessoas próximas a ele. O texto levou cinco semanas para ser escrito e resultou em 14 mil palavras.
Em “Bartleby e Eu”, Talese também aborda a gênese de sua obra “O Reino e o Poder – Uma História do New York Times”, lançada em 1969, que teve como embrião uma série de perfis de jornalistas do Times. A última seção do livro apresenta uma reportagem mais recente sobre um médico que explodiu seu apartamento em Nova York em 2006. A obra oferece um panorama da carreira de um dos mais importantes jornalistas do século 20 e sua visão sobre o jornalismo narrativo.