Gaeco denuncia delegado e mais 22 por desvio de drogas em Mato Grosso do Sul

Investigação aponta uso de sistemas restritos do Estado e do Ministério da Justiça para monitorar cargas de traficantes e desviar entorpecentes. [...]

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) apresentou à Justiça denúncia contra o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa e outras 22 pessoas por suposta participação em uma organização criminosa que desviava drogas em Mato Grosso do Sul. O delegado está preso desde o dia 24 de setembro de 2026, quando foi deflagrada a Operação Infiltrados, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão. As investigações tiveram origem em elementos encontrados nas operações Traquetos e Blindspot.

Segundo a denúncia, os investigados usavam plataformas restritas, como o Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional) e o Córtex, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para vigiar e interceptar cargas de traficantes que não pertenciam ao grupo. Prints do sistema Córtex foram encontrados nos arquivos de Lucas da Silva dos Santos, o 'LK', datados de maio de 2025, quando um veículo Gol foi consultado. Uma auditoria no Sigo revelou que o policial militar Alison Lemes Bezerra, conhecido como 'Daga' ou 'Daguinha', e o policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos fizeram consultas ao prontuário do indivíduo que constava no print.

A denúncia também descreve que, entre maio e junho de 2025, 'LK', um policial penal e dois policiais militares teriam monitorado um depósito de drogas de dois suspeitos para apreender os entorpecentes e comercializá-los. Os policiais teriam feito checagens de veículos nos sistemas oficiais para 'LK' e instalado 'carrapato' nos carros dos alvos. Áudios de 'LK' mostram que ele monitorava a chegada de um carregamento a partir de Campo Grande, com informação de que a carga passaria pelo trevo de acesso à Sidrolândia após Maracaju.

Vitor Venâncio foi preso com outro policial militar no dia 14 de abril, durante investigação da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), por fatos relacionados ao roubo de drogas em uma casa no Parque dos Girassóis. A denúncia aponta que essa conduta se amolda ao modus operandi da organização criminosa investigada. Além de Hoffman, a denúncia inclui outros 22 acusados, entre policiais civis, um policial penal e pessoas apontadas como integrantes da rede de tráfico ou responsáveis pela movimentação financeira. Dois policiais militares também são mencionados, mas o Ministério Público informou que apresentará ação contra eles perante a Justiça Militar.

A defesa do delegado Hoffman, representada pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas serão questionadas durante a instrução processual. Segundo Rosa, a análise dos elementos em contexto integral deve demonstrar que o delegado não participou dos ilícitos. "Infelizmente, há indicações de que pessoas que agiam sob o comando do delegado teriam, de alguma forma, agido contra a lei, mas não há indicação direta de participação dele, a não ser recortes com indicações e suposições de que ele teria aderido a essa conduta", afirmou o advogado. Ele declarou ainda confiança de que, ao final, ficará demonstrado que o delegado não teve qualquer participação nos eventos. A denúncia representa a acusação formal do Ministério Público e será analisada pelo juízo quanto ao possível recebimento das acusações.

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