Na data em que a invasão russa à Ucrânia completa quatro anos, as negociações de paz seguem estagnadas devido ao controle de cidades estratégicas no leste ucraniano. Sloviansk, Kramatorsk e Kostiantynivka formam um sistema defensivo de trincheiras e bunkers, construído desde 2014, que impede o avanço dos tanques russos na província de Donetsk, onde não há obstáculos naturais como montanhas ou rios largos.
Essas cidades representam o último território ucraniano na região, um dos principais alvos do presidente Vladimir Putin. Para a Rússia, conquistá-las significaria declarar vitória total no Donbas, enquanto uma possível entrega dessas áreas seria interpretada pela Ucrânia como reconhecimento da agressão russa. Como mediadores americanos sinalizam aceitar concessões territoriais, as fortalezas urbanas foram convertidas em 'moeda de troca' durante as discussões internacionais.
O exército ucraniano adota a estratégia de guerra de atrição em Sloviansk e outras cidades, focando na redução gradual das forças russas ao longo do tempo. Essa tática visa prolongar a resistência e aumentar o custo político e militar para a Rússia, mesmo sem avanços territoriais imediatos.
Analistas destacam que qualquer acordo que deixe áreas ocupadas sob controle russo pode criar um precedente perigoso no Direito Internacional. Isso porque o uso da força para ganhar território poderia ser normalizado, inspirando outras potências a desafiar fronteiras sem punições definitivas.