Filha com Microcefalia Sofre com Burocracia para Cirurgia e Transporte em Campo Grande

A saga da pequena Karoline Rebeca Lopes de Arruda, de 7 anos, e sua família, expõe as dificuldades enfrentadas por pacientes com necessidades especiais em [...]

A saga da pequena Karoline Rebeca Lopes de Arruda, de 7 anos, e sua família, expõe as dificuldades enfrentadas por pacientes com necessidades especiais em Campo Grande. Karoline, diagnosticada com paralisia cerebral e microcefalia, necessita urgentemente de uma cirurgia no quadril, mas a burocracia e os entraves administrativos têm adiado o procedimento desde 2022.

Luana Caroline Lopes, mãe de Karoline, residente no Conjunto Aero Rancho, relata que a situação da filha se agrava a cada ano. O quadril deslocado não apenas causa dores intensas, mas também dificulta a higiene pessoal e o uso da cadeira de rodas. A condição desencadeou novas complicações, como o entortamento do pé e o comprometimento da coluna. O que inicialmente seria uma única cirurgia no quadril, agora exige intervenções adicionais.

Apesar de já ter realizado três vezes o “risco cirúrgico”, avaliação médica pré-operatória, Karoline ainda não foi chamada para a operação. Luana relata que, em uma ocasião, o procedimento foi inviabilizado devido a uma síndrome respiratória, agravando ainda mais o quadro da menina, cuja coluna apresenta escoliose em decorrência do deslocamento do quadril.

A alimentação de Karoline é feita por meio de sonda, que requer substituição semestral. A mãe denuncia a falta do material no Centro de Especialidades Médicas (CEM), intensificando o sentimento de desespero e a sensação de que todas as portas se fecham.

A família buscou auxílio na Defensoria Pública para agilizar o processo, mas encontrou novos obstáculos. Uma cirurgia que seria realizada pelo Hospital Universitário em maio foi cancelada devido à necessidade de acompanhamento em CTI (Centro de Tratamento Intensivo) por conta da síndrome respiratória da criança. A Defensoria solicitou, então, três orçamentos de clínicas particulares, esbarrando nos altos custos. Apenas a consulta inicial com um ortopedista, pré-requisito para o orçamento, já representaria um gasto significativo.

Além da batalha pela cirurgia, a família luta para garantir o transporte adaptado para Karoline frequentar o Cotolengo, onde realiza tratamento e estuda. Apesar de uma decisão judicial favorável, a Prefeitura de Campo Grande ainda não disponibilizou o veículo.

Em nota, a Prefeitura justificou que os atendimentos seguem os protocolos do SUS, priorizando urgência, gravidade e disponibilidade, e omitiu comentários sobre a falta de insumos. O Humap-UFMS informou que Karoline está na fila de espera da Ortopedia Pediátrica, e a convocação para o procedimento ocorrerá conforme a ordem dos fluxos cirúrgicos institucionais, garantindo equidade e segurança assistencial, reiterando não ser sua responsabilidade a gestão das filas.

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