A Ferrogrão, ferrovia projetada para ligar o Mato Grosso ao Pará, é apresentada como o ápice da eficiência logística. No entanto, o projeto abrangerá diretamente 14 municípios, incluindo Itaituba, Novo Progresso e Trairão, e pode gerar impactos lineares por toda a extensão da Amazônia.
O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental de 2024 projeta um investimento de R$ 9,69 bilhões. A estimativa de geração de vagas é de 51,1 postos diretos e 52,5 indiretos a cada R$ 10 milhões investidos.
A massa de pessoas envolvida na obra colide com a infraestrutura frágil das cidades que serão cortadas pelos trilhos. Os municípios apresentam déficits históricos em saúde, saneamento e educação, o que sinaliza um colapso iminente no atendimento básico.
Especialistas descrevem o cenário como a arquitetura de um desastre anunciado. A expansão demográfica descontrolada da última década catalisou a força de facções criminosas, transformando a região em um polo estratégico para o narcotráfico e elevando drasticamente os índices de mortes violentas.