Ele apresentou o exemplo da Fazenda Santa Rita, do grupo Agrossol, em Parnaguá (PI), onde o capim Zuri, um tipo de Panicum, vem sendo usado com sucesso para fenação, mesmo em região com menos de 1.200 mm de chuva ao ano.
A propriedade planeja expandir a área de feno em mais 50 hectares, tanto para garantir alimentação no período seco quanto como fonte de renda extra, com a venda do material.
Manejo e adubação: a inteligência por trás do feno

Além da colheita do feno, Scoton ressalta a importância de planejar a adubação da área para garantir recuperação rápida.
O ideal, segundo ele, é adubar em setembro ou outubro, logo no início das chuvas. Isso permite usar a área de feno como primeira a receber o rebanho, garantindo descanso para outros piquetes.
Essa estratégia é chamada de “sequestro de pasto” — um manejo altamente eficaz que contribui para reduzir a pressão sobre áreas tradicionais e pode permitir, inclusive, uma segunda colheita de feno.
Feno é solução para alta lotação e mais bezerros

Scoton explica que, especialmente em fazendas de cria, o feno tem papel central para manter alta lotação e aumentar a produção de bezerros.
“Mais comida estocada significa mais vacas, mais bezerros, mais faturamento”, resume o especialista.
Em locais com chuvas escassas, como o semiárido do Piauí, o feno é uma alternativa viável à silagem, por exigir menos estrutura para produção e armazenamento. Mesmo com custos variáveis mais altos, o investimento se paga pela produtividade extra que gera.
Aprenda a calcular a quantidade de feno ideal

Para saber quanto feno produzir, Scoton ensina um cálculo prático baseado no número de animais que ficarão sem pasto na seca:
- Quantos animais? (ex: 200 vacas)
- Quantos dias de seca? (ex: 120 dias)
- Multiplique: 200 x 120 = 24.000 diárias
- Consumo diário por animal: (ex: 10 kg/dia)
- Total necessário: 24.000 x 10 kg = 240.000 kg de feno
- Produtividade da área: (ex: 6.000 kg/ha)
- Área necessária: 240.000 ÷ 6.000 = 40 hectares
Esse cálculo ajuda a evitar surpresas no período seco e permite ao produtor se planejar com precisão.
Planejamento e inovação fazem a diferença no campo
Produzir feno com braquiárias e panicuns, como o capim Zuri, é uma alternativa viável e rentável até em regiões com menos chuvas.
O segredo está no manejo estratégico, adubação eficiente e planejamento antecipado. Como reforça Scoton, “o pasto conservado é o que garante o desempenho da fazenda na seca — não dá pra contar só com o tempo”.
Quer tirar dúvidas ou fazer seu cálculo de área? O especialista está disponível no Instagram para orientar produtores de todo o país. A tecnologia e o conhecimento estão aí: cabe ao pecuarista usar a seu favor e produzir mais com o que tem.