O influenciador digital Felca revelou ter enfrentado o pior mês financeiro de sua carreira após a publicação de um vídeo denunciando casos de abuso e exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.
Em entrevista, Felca declarou que recusou todas as propostas de publicidade que recebeu desde a divulgação do vídeo, intitulado “Adultização”. “Eu sou um influenciador, a maior parte da minha renda vem de publicidade. Nessas duas semanas, eu perdi, recusei ou declinei todas as publicidades que chegavam até mim. Então, neste mês, não tive qualquer tipo de renda. Para os negócios não foi bom”, afirmou.
O criador de conteúdo explicou que a decisão foi tomada como uma forma de dar espaço ao debate sobre o tema. “Declinei todas as publicidades. Foi quase um minuto de silêncio. Nesse momento, temos que falar sobre algo que é mais importante. Eu não quero aparecer dizendo ‘compre tal coisa’. Isso me descredibilizaria. Estou fazendo algo que é maior do que eu e do que a minha renda”, declarou.
Felca relembrou episódios que o impactaram durante a investigação para a produção do vídeo, que levou mais de um ano para ser concluído. Entre eles, relatou o caso de uma mãe que, segundo ele, “usava a imagem da filha menor para criar e comercializar conteúdo em plataformas privadas. Era a própria família por trás da sexualização da criança”.
O vídeo “Adultização”, com mais de 48 milhões de visualizações, poderia render cerca de meio milhão de reais ao youtuber. No entanto, Felca anunciou que todo o valor arrecadado com a monetização será doado a instituições que atuam no combate ao abuso infantil.
Desde a publicação, o influenciador passou a receber ameaças, especialmente após denunciar outro criador de conteúdo, suspeito de exploração sexual de adolescentes. Ainda assim, ele garante que não pretende interromper a mobilização. “Eu mantenho a cautela, mas estou fazendo algo que é mais importante do que eu. Desculpa aí, não vou conseguir parar”, disse em entrevista.
Apesar do impacto financeiro, Felca destacou que o objetivo principal segue sendo dar visibilidade ao problema. “É um trabalho que vai muito além da internet”, afirmou.