A plataforma Discord enfrentou críticas após admitir a demora em retirar do ar uma transmissão ao vivo que culminou na morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, a 359 quilômetros de Campo Grande. O incidente ocorreu em 22 de julho, quando a plataforma levou cerca de duas horas para remover a live após o início da transmissão, que ocorreu às 1h20. O alerta de risco chegou apenas às 2h50, e a retirada efetiva da transmissão foi realizada às 3h15.
No relatório enviado ao Ministério da Justiça, o Discord explicou que o canal da transmissão não apresentava sinais de atividade que violasse suas diretrizes, com um nível de risco classificado em 0,12. Para que uma live seja removida, o sistema exige que esse nível atinja 0,95. Essa situação levanta sérias questões sobre a eficácia dos mecanismos de proteção da plataforma, especialmente em relação a menores de idade.
Como resposta ao incidente, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo no Discord. A empresa, por sua vez, classificou essa decisão como “prematura”, ressaltando a possibilidade de os criadores do servidor terem disfarçado as intenções por meio de comunicações disfarçadas. O Discord afirmou que uma mudança nos procedimentos poderia comprometer sua atuação automatizada.
Na última terça-feira (11), a Advocacia-Geral da União (AGU) recebeu a proposta do Discord, que inclui medidas para reforçar a segurança dos menores na plataforma. O relatório apontou falhas nos mecanismos de proteção e verificação de idade. Os representantes da empresa se reuniram com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a ANPD para discutir as preocupações levantadas.
A análise da proposta será feita em colaboração com outros órgãos federais para que ações possam resultar em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O foco é estabelecer medidas efetivas que garantam a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
A jovem vítima deste trágico episódio foi encontrada morta no quintal de sua casa, por volta das 6h do dia 22 de julho. As investigações apontaram que ela estava em um grupo extremista no Discord, onde foi incentivada a tirar a própria vida por não ter cumprido uma ordem relacionada a animais.