O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) agendou para o período de 11 a 18 de junho o julgamento virtual do pedido de liberdade dos ex-servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira. Ambos foram detidos durante uma operação realizada em maio de 2026, que desmantelou um esquema de fraude relacionado ao serviço de tapa-buracos em Campo Grande.
O habeas corpus solicitado pelos ex-servidores já foi negado em caráter liminar pelo desembargador Zaloar Murat Martins de Souza, que faz parte da 3ª Câmara Criminal. Agora, a análise do caso será realizada pelos demais integrantes do colegiado. A Procuradoria de Justiça apresentou um parecer contrário à concessão da liberdade, e o tribunal também irá avaliar, em breve, o habeas corpus de Rudi Fiorese e de outros dois detidos.
A Operação Buraco sem Fim foi deflagrada em 12 de maio de 2026, pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), resultando na prisão de sete indivíduos e na execução de dez mandados de busca e apreensão. O foco da operação foi um esquema de fraude no serviço de tapa-buracos, que envolveu a manipulação de medições e pagamentos indevidos.
Dentre os presos estão Rudi Fiorese, que ocupou o cargo de secretário municipal de Infraestrutura, e Mehdi Talayeh, ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep. Outros envolvidos incluem Edivaldo Aquino Pereira, ex-gerente de Manutenção de Vias da Sisep, além de Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira, ambos ex-servidores da mesma secretaria. Também foi detido Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil e filho de Antonio Roberto.
As investigações revelaram a atuação de uma organização criminosa voltada para fraudes na execução de Serviços Públicos, que resultou em pagamentos que não refletiam os serviços prestados. Essa prática permitiu o desvio de recursos públicos e contribuiu para a deterioração da qualidade das vias urbanas.
Os dados levantados indicam que, entre 2018 e 2025, a Construtora Rial, empresa investigada, acumulou contratos e aditivos que totalizam R$ 113.702.491,02. Durante as ações judiciais, foram encontrados valores substanciais em dinheiro vivo, somando pelo menos R$ 429 mil. No imóvel de Rudi Fiorese, estavam R$ 186 mil, enquanto outro alvo da operação tinha R$ 233 mil em espécie.