O Brasil apresentou progresso em 34 dos 48 indicadores analisados no Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, que avalia a situação do país em relação às desigualdades sociais. Apesar das melhorias, como o aumento da renda média e a redução da pobreza, o estudo revela que os avanços não foram suficientes para eliminar as disparidades históricas entre diferentes grupos sociais.
Entre os progressos reportados estão avanços na segurança alimentar, a ampliação do acesso a serviços básicos e melhorias significativas em índices de saúde, como a redução da desnutrição infantil e entre idosos. No entanto, os dados também mostram uma realidade complexa, com alguns indicadores enfrentando retrocessos. O relatório destaca que, em um total de 48 indicadores, oito pioraram e seis permaneceram estáveis.
As áreas que apresentaram piora incluem a remuneração desigual entre homens e mulheres, o agravamento da concentração de renda e menos tributação sobre os grupos de maior renda. Além disso, as condições sociais da população negra e o aumento das desigualdades nas regiões Norte e Nordeste foram identificados como preocupações relevantes. Para os autores do relatório, esses dados indicam que os mecanismos que perpetuam as desigualdades continuaram ativos, desafiando os avanços econômicos.
O relatório atual é a quarta edição da série, com o primeiro sendo divulgado em 2023. A última versão apresenta análises relativas a 2025, embora alguns indicadores, como os da Pesquisa de Orçamentos Familiares e o Indicador de Analfabetismo Funcional, sejam atualizados em intervalos mais longos. A diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Adriana Marcolino, observou que a falta de dados atualizados para 2025 não prejudica a comparabilidade com edições anteriores, uma vez que as tendências já estavam claras nos dados anteriores.
Betina Ferraz Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil, reforçou a importância de analisar os indicadores de forma abrangente. Segundo ela, os dados médios podem ocultar uma realidade mais complexa, onde os avanços ocorridos estão longe de serem uniformes entre todos os grupos que compõem a sociedade brasileira. O relatório, portanto, serve como um importante instrumento para a compreensão das desigualdades e suas intersecções no país, enfatizando a necessidade de políticas públicas que abordem essas disparidades de forma mais efetiva.